Intenção de investimento da indústria registra terceiro recuo consecutivo

A intenção de investimento do setor industrial caiu pelo terceiro mês seguido em agosto. O indicador divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) recuou 0,6 ponto, passando de 53,2 para 52,6 pontos, o menor nível registrado em 2026.

De acordo com a CNI, o resultado está relacionado a um cenário considerado desfavorável para a indústria, marcado principalmente pelos juros elevados, aumento dos custos de produção e maior entrada de produtos importados.

As perspectivas para os próximos seis meses também pioraram. O índice de expectativa para a quantidade exportada caiu 1,5 ponto, para 49,5 pontos, enquanto a previsão para o número de empregados recuou 0,7 ponto, chegando a 49,4. Como os dois indicadores ficaram abaixo dos 50 pontos, passaram a sinalizar expectativa de redução das exportações e dos empregos no setor.

Também houve menor otimismo em relação à compra de insumos e matérias-primas e à demanda dos consumidores. O primeiro indicador caiu 1,2 ponto, para 51,2, enquanto o segundo recuou 0,7 ponto, para 52,6. Apesar das quedas, os dois permanecem acima da linha de 50 pontos, indicando expectativas ainda positivas.

Produção cresce em julho

Apesar do cenário de menor confiança para os próximos meses, a produção industrial apresentou avanço em julho. O índice de evolução da produção subiu 2,6 pontos e alcançou 51 pontos, ultrapassando a marca de 50 pontos, que indica crescimento em relação ao mês anterior.

Foi apenas a segunda vez em 2026 que o indicador apontou aumento da produção. A primeira ocorreu em março.

O índice de evolução do número de empregados também avançou, passando para 48,6 pontos após alta de 0,4 ponto. Mesmo assim, permaneceu abaixo dos 50 pontos, indicando redução dos postos de trabalho em relação a junho.

A utilização da capacidade instalada das empresas permaneceu em 70%, um ponto percentual abaixo do registrado nos meses de julho de 2024 e 2025.

Estoques aumentam

Os estoques de produtos finais também cresceram em julho. O índice de evolução dos estoques subiu 1,7 ponto, chegando a 51 pontos. Foi a primeira vez no ano que o indicador ultrapassou a linha de 50 pontos, após oito meses consecutivos de queda.

Mesmo com a alta, o nível de estoques permaneceu próximo ao planejado pelas empresas. O índice que compara o estoque efetivo com o previsto avançou de 50 para 50,2 pontos.

A pesquisa da CNI ouviu 1.407 empresas industriais, entre os dias 3 e 12 de agosto. Do total, 578 eram pequenas empresas, 489 médias e 340 grandes.

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