Frio aumenta riscos para a saúde dos rins e especialistas fazem alerta à população em Santa Catarina

As baixas temperaturas do inverno em Santa Catarina exigem cuidados redobrados não apenas com doenças respiratórias, mas também com a saúde dos rins. Especialistas alertam que o frio favorece o aumento da pressão arterial, reduz a ingestão de água e eleva a circulação de vírus respiratórios, fatores que podem agravar quadros de doença renal crônica e aumentar o risco de complicações.

Segundo a médica nefrologista Amanda Meyer da Luz, da Fundação Pró-Rim, o inverno modifica o comportamento das pessoas e do próprio organismo, criando condições que podem prejudicar a função renal.

“Nessa época do ano, as pessoas costumam sentir menos sede e ficam mais tempo em ambientes fechados, aumentando também a circulação de vírus respiratórios, como os da gripe”, explica.

Além da maior incidência de infecções, o frio pode provocar elevação da pressão arterial, um dos principais fatores responsáveis pela progressão da doença renal.

“O frio pode favorecer um aumento da pressão arterial. Pacientes idosos também apresentam maior risco de desidratação, justamente porque acabam ingerindo menos líquidos. Os familiares devem oferecer água com mais frequência durante o inverno”, orienta a especialista.

Desidratação pode agravar a função dos rins

A redução da ingestão de líquidos é um dos problemas mais frequentes nesta época do ano. Como a sensação de sede diminui, muitas pessoas acabam bebendo menos água sem perceber.

De acordo com a nefrologista, para quem ainda possui função renal preservada, a desidratação pode comprometer ainda mais o funcionamento dos rins.

“Para quem ainda possui função renal, ingerir pouca água pode favorecer a desidratação e até piorar a função dos rins.”

Já os pacientes que realizam hemodiálise devem manter rigorosamente a quantidade de líquidos indicada pelo médico.

“Os pacientes em hemodiálise precisam seguir a quantidade de líquidos orientada pelo nefrologista. O objetivo não é beber mais nem menos do que o recomendado.”

Entre os principais sinais de alerta estão boca seca, tontura, fraqueza, queda da pressão arterial, diminuição da produção de urina, confusão mental e aumento do inchaço. Nesses casos, a recomendação é procurar atendimento médico imediatamente.

Infecções respiratórias também preocupam

Segundo a Fundação Pró-Rim, o inverno também aumenta a ocorrência de doenças respiratórias que podem desencadear complicações renais e cardiovasculares.

“Sem dúvida, as infecções respiratórias são as mais frequentes. Gripe, covid-19, bronquite e pneumonia podem levar à piora da função renal e aumentar a necessidade de internação. Também observamos mais casos de descompensação da pressão arterial, sobrecarga de líquidos em pacientes que faltam à diálise e complicações cardiovasculares, que são mais comuns durante épocas de frio”, destaca Amanda Meyer da Luz.

A especialista ressalta ainda que essas infecções elevam o risco de problemas cardíacos, uma das principais causas de morte entre pacientes com doença renal.

Doença silenciosa atinge milhões de pessoas

A doença renal crônica é considerada um dos grandes desafios da saúde pública por evoluir, na maioria dos casos, de forma silenciosa. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que cerca de 10% da população mundial convive com algum grau da doença.

No Brasil, estimativas apontam que aproximadamente 6,7% dos adultos apresentam doença renal crônica, percentual que aumenta significativamente entre a população idosa.

Diante desse cenário, os especialistas reforçam a importância da prevenção, mantendo uma boa hidratação, alimentação equilibrada, controle da pressão arterial e da diabetes, além da vacinação contra gripe e covid-19, especialmente para pessoas que fazem parte dos grupos de risco.

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