CNI defende continuidade da redução da Selic após novo corte anunciado pelo Banco Central

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) avaliou como positiva a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de reduzir a taxa básica de juros (Selic) em 0,25 ponto percentual, passando para 13,75% ao ano. Apesar disso, a entidade considera que o corte foi conservador e defende que o Banco Central mantenha o ciclo de redução dos juros nas próximas reuniões.

Segundo o presidente da CNI, Ricardo Alban, a inflação apresenta trajetória de desaceleração e já acumula 4,22% nos últimos 12 meses até agosto, além de as expectativas do mercado apontarem aproximação da meta de 3% ao ano. Para a entidade, esse cenário abre espaço para novos cortes na Selic sem comprometer o controle da inflação.

A CNI argumenta que, mesmo após a redução, a política monetária continua bastante restritiva. A estimativa é que o juro real esteja em torno de 9% ao ano, percentual considerado elevado em comparação com a taxa neutra estimada pelo próprio Banco Central, de cerca de 5%.

Crédito continua caro

A entidade também chama atenção para os impactos dos juros elevados sobre o crédito. Em julho deste ano, a taxa média das operações com recursos livres chegou a 47,7% ao ano. Para pessoas físicas, a média alcançou 60%, enquanto para empresas ficou em 25,4% ao ano.

Além do encarecimento do crédito, a inadimplência também aumentou. Entre pessoas físicas, o índice atingiu 7,8%, o maior da série histórica. No caso das empresas, chegou a 4,2%. Já o endividamento das famílias alcançou 49,8% da renda, próximo do maior nível já registrado.

Indústria prevê mais dificuldades

Pesquisa realizada pela CNI com 179 empresas de 28 setores mostra que o setor industrial espera maior necessidade de financiamento nos próximos meses. Mais da metade das empresas prevê aumento da demanda por capital de giro para cobrir despesas e manter estoques, enquanto cerca de 60% das que pretendem buscar crédito acreditam que os juros continuarão elevados.

A pesquisa também aponta que 57% das indústrias esperam redução das margens de lucro, e aproximadamente um terço prevê aumento do endividamento bancário. Mesmo diante do aumento dos custos, 53% das empresas afirmam que pretendem manter os preços dos produtos, buscando preservar a competitividade.

Economia perde ritmo

Outro ponto destacado pela CNI é a desaceleração da atividade econômica. O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro cresceu 0,5% no segundo trimestre de 2026, abaixo da expansão de 1,1% registrada no trimestre anterior.

O consumo das famílias recuou 0,4%, enquanto a indústria de transformação ficou praticamente estável. Para a entidade, esses indicadores reforçam a necessidade de novas reduções da taxa Selic para estimular a economia e reduzir o custo do crédito para consumidores e empresas.

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