Brasil pode registrar 860 mil casos de dengue em 2027, aponta projeção

Previsão indica cenário de atenção para o próximo ano. Em Jaraguá do Sul, registros da doença caíram em relação ao mesmo período de 2025.

O Brasil poderá registrar aproximadamente 860 mil casos prováveis de dengue em 2027. A estimativa foi apresentada durante o webinário Preparação para a Temporada de Dengue 2027, com base em um levantamento que reúne 22 modelos de previsão desenvolvidos por mais de 130 pesquisadores de oito países.

De acordo com o estudo, a projeção aponta um intervalo de incerteza de 560 mil a 1,6 milhão de casos, com possibilidade de pico em abril de 2027, quando poderiam ser registrados cerca de 40 mil casos.

O cenário é semelhante ao observado nas temporadas de 2025 e 2026. Mesmo sem indicação de uma epidemia nos moldes de 2024, os especialistas alertam que a dengue continuará exigindo atenção das autoridades de saúde e da população.

El Niño entra no radar das autoridades

A expectativa de um super El Niño durante o próximo verão também foi considerada nas análises. Os pesquisadores, no entanto, identificaram divergências entre os modelos sobre a intensidade e a distribuição dos possíveis efeitos climáticos.

A orientação é que o fenômeno seja considerado no planejamento de ações preventivas, com acompanhamento constante dos indicadores epidemiológicos. As projeções também apontam tendência de aumento de casos em estados como Paraná, Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul, Sergipe, Acre e Minas Gerais.

Jaraguá do Sul apresenta redução nos registros

Os dados do InfoDengue mostram uma redução significativa nos registros de dengue em Jaraguá do Sul na comparação com o mesmo período do ano passado. Até a semana epidemiológica 43 de 2026, o município contabilizava 1.542 casos de dengue, enquanto, no mesmo período de 2025, haviam sido registrados 5.420 casos.

A diferença representa uma redução de aproximadamente 71,5% nas notificações. Em relação à chikungunya, foram registrados quatro casos neste ano, contra 13 no mesmo período de 2025. Já a zika não apresentou registros em nenhum dos dois períodos.

Chikungunya também exige atenção

Além da dengue, o levantamento nacional projeta mais de 90 mil casos prováveis de chikungunya em 2027. A doença também é transmitida pelo mosquito Aedes aegypti e pode provocar febre e dores intensas nas articulações. As estimativas indicam possibilidade de aumento de casos em diferentes estados, incluindo Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

Mesmo com a redução dos registros em Jaraguá do Sul, a recomendação é manter os cuidados durante todo o ano. A eliminação de recipientes com água parada, a limpeza de calhas, a atenção aos vasos de plantas e o descarte correto de pneus e outros materiais são medidas importantes para impedir a proliferação do mosquito.

Os especialistas reforçam que as projeções são ferramentas para antecipar cenários e organizar as ações de saúde pública. A prevenção, a vigilância epidemiológica e a participação da comunidade continuam sendo fundamentais no combate à dengue e à chikungunya.

Por: Renato Santos

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