Após admitir reunião com Daniel Vorcaro, André Mendonça também passa a ser citado no caso Banco Master

O caso envolvendo o ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, ganhou um novo desdobramento nesta quarta-feira (2). Depois de confirmar que se reuniu com o empresário em 2025 para tratar de uma ação relacionada a precatórios, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça também passou a integrar o foco das discussões sobre a condução das investigações.

A revelação ocorre um dia após Mendonça determinar a retirada do sigilo de um relatório da Polícia Federal que trouxe à tona mensagens atribuídas a Vorcaro envolvendo o ministro Alexandre de Moraes e o procurador-geral da República, Paulo Gonet. O material passou a embasar uma discussão dentro do STF sobre a necessidade de novas apurações.

Agora, além das informações já divulgadas sobre outros integrantes da Corte, a própria atuação de Mendonça também entrou em evidência após a confirmação de que ele recebeu Vorcaro em março de 2025.

Encontro confirmado

Em nota e em declarações à imprensa, André Mendonça afirmou que o encontro ocorreu por solicitação do empresário e foi intermediado pelo advogado Ciro Rocha Soares e pelo deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP).

Segundo o ministro, a conversa aconteceu em um instituto ligado a ele, em São Paulo, teve duração aproximada de 20 a 30 minutos e tratou da Suspensão de Tutela Provisória (STP) 976, processo relacionado ao pagamento de precatórios. Mendonça afirmou que apenas ouviu as manifestações dos visitantes e recebeu memoriais escritos sobre o caso.

O ministro também declarou que o Banco Master não foi tema da reunião e ressaltou que, posteriormente, seu posicionamento no processo foi contrário ao interesse defendido por Vorcaro.

Novos questionamentos

A confirmação do encontro ocorre depois da divulgação de mensagens recuperadas pela Polícia Federal durante as investigações do caso Banco Master.

Além de tornar públicos os documentos da investigação, Mendonça defendeu que os elementos reunidos sejam analisados pelo plenário do Supremo Tribunal Federal, diante da possibilidade de envolver autoridades com foro na própria Corte.

A Procuradoria-Geral da República, por sua vez, sustenta que eventual aprofundamento das investigações envolvendo ministros do STF depende de autorização do plenário da Corte e questionou a forma como a apuração foi conduzida.

Com esse novo cenário, o caso Banco Master entra em uma fase ainda mais sensível. Se antes as atenções estavam concentradas nas mensagens envolvendo Alexandre de Moraes, agora a confirmação da reunião entre André Mendonça e Daniel Vorcaro faz com que a atuação do próprio relator também passe a ser alvo de questionamentos e de análise dentro do Supremo. Entretanto, até o momento não há decisão que coloque Mendonça formalmente na condição de investigado; o que existe é um aumento do escrutínio sobre sua participação e sobre os fatos revelados.

Por: Renato Santos

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