CNI critica manutenção da Selic em 13,75% e alerta para impacto na economia

Entidade afirma que juros elevados prejudicam empresas e famílias e defende retomada do ciclo de cortes pelo Banco Central

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) avaliou como equivocada a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central de manter a taxa básica de juros, a Selic, em 13,75% ao ano. Segundo a entidade, a continuidade da política de juros elevados mantém o crédito caro, dificulta investimentos, reduz o consumo e aumenta a pressão sobre empresas e famílias.

O presidente da CNI, Ricardo Alban, defendeu que o Banco Central retome o ciclo de redução dos juros já na próxima reunião do Copom, prevista para dezembro. Para a entidade, apesar da piora recente nas expectativas de inflação, o índice permanece dentro do intervalo da meta no chamado horizonte relevante da política monetária, o que permitiria uma redução gradual da taxa básica.

A CNI também apontou preocupação com o cenário fiscal e afirmou que a falta de sinais de equilíbrio nas contas públicas aumenta a percepção de risco entre investidores, pressionando o câmbio e as expectativas de inflação.

Segundo a confederação, problemas relacionados ao quadro fiscal não devem ser compensados apenas com a manutenção de juros elevados por mais tempo. A avaliação é de que o ajuste precisa ocorrer por meio de medidas fiscais capazes de recuperar a confiança e permitir uma queda mais sustentável da Selic.

A entidade destacou ainda que o juro real brasileiro permanece em patamar elevado, próximo de 8,4%, considerado restritivo para a atividade econômica.

Impactos sobre empresas e consumidores

A CNI afirma que a política monetária restritiva já apresenta reflexos na economia real, com aumento dos custos de financiamento, redução dos investimentos e perda de ritmo em setores importantes.

Dados da Sondagem Industrial da entidade apontam aumento dos estoques indesejados e piora na avaliação das margens de lucro das empresas. A confederação também cita perda de força no varejo e estabilidade no setor de serviços.

O impacto também aparece no orçamento das famílias. De acordo com a CNI, o comprometimento da renda com dívidas chegou a 29% em agosto, maior nível em 21 anos, enquanto o endividamento alcançou 50,1% da renda acumulada em 12 meses.

No setor industrial, uma pesquisa realizada pela entidade em outubro mostrou que parte dos empresários espera aumento da necessidade de financiamento para pagamento de fornecedores e redução dos lucros nos próximos meses.

A CNI afirma que a combinação de juros elevados e crédito restrito continua sendo um dos principais obstáculos para o crescimento da economia brasileira.

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