O envolvimento de adolescentes com apostas online pagas já é uma realidade em parte das famílias brasileiras. Pesquisa realizada pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), em parceria com a Offerwise Pesquisas, aponta que 10% dos consumidores entrevistados afirmam ter ou já ter tido filhos entre 12 e 18 anos envolvidos com esse tipo de jogo.
O levantamento, intitulado “Apostas Online: entre o prazer do jogo e o risco financeiro”, também revela que 70% dos pais que relataram essa situação identificaram algum impacto na vida dos filhos. Entre as consequências mencionadas, o sinal de vício aparece em primeiro lugar, citado por 26% dos entrevistados desse grupo.
Os dados chamam a atenção porque a participação de menores de 18 anos em apostas de quota fixa é proibida no Brasil. Mesmo assim, os resultados indicam que adolescentes conseguem acessar plataformas de jogos pagos, ficando expostos a riscos que podem comprometer tanto a saúde emocional quanto a organização financeira da família.
A presença constante de conteúdos sobre apostas nas redes sociais, transmissões esportivas e publicações de influenciadores também amplia a exposição dos jovens a esse universo. A pesquisa, entretanto, não identifica de que maneira os adolescentes mencionados conseguiram acessar as plataformas.
Dívidas e problemas familiares estão entre as consequências
O endividamento é apontado por 24% dos pais como um dos impactos das apostas na vida dos filhos. Outro dado preocupante é que 14% relatam que os adolescentes utilizaram dinheiro ou cartão de crédito da família sem autorização.
A situação pode gerar prejuízos que ultrapassam o próprio jovem, atingindo diretamente o orçamento doméstico e provocando conflitos nas relações familiares.
Os reflexos também aparecem na saúde emocional. Segundo o levantamento, 13% dos pais mencionaram sinais de ansiedade, depressão ou irritabilidade nos filhos.
As mudanças de comportamento, o interesse excessivo por jogos que envolvem dinheiro e movimentações financeiras sem explicação podem servir de alerta para familiares sobre a possível existência de um problema relacionado às apostas.
Maior controle da publicidade é defendido pelos entrevistados
A influência da publicidade também aparece entre as preocupações levantadas pela pesquisa. Para 44% dos entrevistados, campanhas de conscientização sobre os riscos de dependência seriam uma das medidas mais eficazes para reduzir os danos provocados pelas apostas.
A proibição de propagandas com famosos e influenciadores é defendida por 43%, enquanto 36% consideram importante restringir ações de marketing direcionadas a jovens e adolescentes.
A associação de personalidades públicas às plataformas também provoca reações negativas. Para 66% dos entrevistados, atletas, artistas, celebridades ou influenciadores digitais que anunciam empresas de apostas passam a ter uma imagem desfavorável.
Entre esses consumidores, 42% afirmam deixar de acompanhar a personalidade que divulga esse tipo de serviço. Outros 24% reconhecem uma influência negativa, mas continuam consumindo seus conteúdos.
Os resultados reforçam que a prevenção dos riscos associados às apostas online exige atenção de diferentes setores da sociedade. Além do acompanhamento familiar, o debate envolve fiscalização das plataformas, mecanismos eficientes de verificação de idade, educação financeira e conscientização sobre os riscos do jogo.
A pesquisa evidencia que o envolvimento de adolescentes com apostas pode trazer consequências que vão além das perdas financeiras, atingindo o comportamento, a saúde emocional e as relações dentro de casa.
