Saúde vai ampliar busca por apostadores após proibição das bets no Brasil

O fim das bets no Brasil também deve provocar mudanças na área da saúde. Após o governo federal anunciar a proibição das apostas de quota fixa, o Ministério da Saúde informou que vai ampliar as ações para identificar apostadores com comportamento problemático e oferecer acompanhamento e tratamento quando houver necessidade.

A chamada busca ativa já é realizada pelo Ministério da Saúde desde dezembro de 2025. Segundo o ministro Alexandre Padilha, as ações utilizam informações compartilhadas pelos ministérios da Fazenda e da Justiça e pela Receita Federal.

De acordo com o ministro, os dados circulam no ambiente Nuvem Brasil, que, segundo ele, segue as regras da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e as normas de ética aplicáveis aos profissionais de saúde.

Ainda não foram divulgados detalhes sobre como será o novo fluxo de atendimento nem quando a ampliação das ações começará.

A estratégia deverá utilizar a estrutura do Meu SUS Digital e também o teleatendimento para oferecer suporte em saúde mental às pessoas que enfrentarem dificuldades relacionadas à interrupção das apostas. Familiares de apostadores também poderão receber atendimento.

Proibição das bets

A medida foi anunciada nesta sexta-feira (25), quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva editou a Medida Provisória nº 1.394/2026, que proíbe a exploração, oferta, intermediação e publicidade das apostas de quota fixa no território nacional. A medida alcança apostas esportivas e jogos online, inclusive operações estaduais e distritais.

O cronograma prevê que os apostadores possam retirar voluntariamente os valores mantidos nas plataformas até as 23h59 do dia 5 de outubro. A partir de 6 de outubro, sites e aplicativos de apostas deverão sair do ar. Os saldos remanescentes serão informados pelas empresas às instituições financeiras e devolvidos aos apostadores entre 9 e 14 de outubro.

Impacto na saúde

Durante a apresentação das novas medidas, o ministro Alexandre Padilha também citou dados sobre os impactos associados ao uso problemático das apostas.

Segundo estudo do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (IEPS) mencionado pelo Ministério da Saúde, os custos sociais relacionados às apostas chegam a R$ 38,8 bilhões por ano. Desse total, R$ 17 bilhões seriam relacionados a mortes adicionais por suicídio, conforme a estimativa apresentada.

O Ministério da Saúde já vinha ampliando as ações de prevenção e atendimento em saúde mental para apostadores e familiares. Em julho, a pasta lançou uma campanha nacional sobre os riscos associados ao uso problemático das apostas e os serviços disponíveis no SUS.

A pasta afirma que o objetivo é garantir que a mudança nas regras das apostas seja acompanhada também por medidas de cuidado em saúde mental, especialmente para pessoas que desenvolveram comportamento compulsivo relacionado ao jogo.

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