Santa Catarina aparece em destaque em dois indicadores preocupantes do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026, divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). O levantamento mostra que o estado registrou, em 2025, a maior taxa de boletins de ocorrência por ameaças contra mulheres e também liderou o número de registros policiais relacionados ao crime de racismo no país.
O estudo é elaborado com base em informações repassadas pelas secretarias estaduais de Segurança Pública e reúne indicadores sobre violência, criminalidade e segurança em todo o território nacional.
Ameaças contra mulheres preocupam
Entre os dados apresentados, Santa Catarina ocupa a primeira posição nacional em registros de ameaça contra mulheres. Foram contabilizadas 1.733 ocorrências para cada 100 mil mulheres, índice muito acima da média brasileira, que ficou em aproximadamente 721 registros por 100 mil mulheres.
Na sequência aparecem Amapá e Distrito Federal, ambos com índices inferiores aos registrados em Santa Catarina.
O levantamento ressalta que os números refletem apenas os casos oficialmente comunicados às autoridades policiais. Ou seja, especialistas alertam que a violência contra a mulher pode ser ainda maior, já que muitas vítimas deixam de denunciar por medo, dependência financeira ou receio de represálias.
Descumprimento de medidas protetivas
Outro dado que chama atenção é o elevado número de ocorrências envolvendo o descumprimento de medidas protetivas concedidas pela Justiça para proteger vítimas de violência doméstica. Santa Catarina aparece entre os estados com os maiores índices do país, registrando 93,8 casos para cada 100 mil mulheres em 2025. O indicador permanece muito acima da média nacional, demonstrando que muitas vítimas continuam expostas mesmo após obterem proteção judicial.
O estudo reforça a necessidade de ampliar políticas públicas voltadas à prevenção da violência, ao acompanhamento das vítimas e ao monitoramento do cumprimento das decisões judiciais.
Estado lidera registros de racismo
Na área dos crimes raciais, Santa Catarina também aparece na liderança nacional. Segundo o anuário, o estado registrou 32,8 ocorrências de racismo para cada 100 mil habitantes, praticamente o dobro da média brasileira.
O levantamento também mostra que Santa Catarina figura entre os estados com maior número de registros de injúria racial, permanecendo acima da média nacional nesse tipo de crime.
Para os pesquisadores, o aumento das ocorrências pode indicar uma maior procura das vítimas pelos canais de denúncia e pelas autoridades policiais. No entanto, o estudo ressalta que o racismo continua presente no cotidiano da população brasileira e que a existência de leis específicas, por si só, não elimina a prática da discriminação.
Contraste com a redução da violência letal
Apesar dos indicadores relacionados à violência contra a mulher e aos crimes raciais, o anuário aponta um cenário positivo em relação à criminalidade violenta.
Santa Catarina encerrou 2025 com a menor taxa de mortes violentas do Brasil, ultrapassando São Paulo nesse indicador. A taxa estadual caiu de 8,6 para 7,6 mortes violentas por 100 mil habitantes, consolidando o estado como referência nacional na redução desse tipo de crime.
O contraste evidencia que, embora os índices de homicídios continuem em queda, desafios importantes permanecem nas áreas de proteção às mulheres e no enfrentamento aos crimes motivados por discriminação racial, reforçando a necessidade de investimentos permanentes em prevenção, acolhimento das vítimas e fortalecimento das políticas públicas de combate à violência.
Por: Renato Santos
Imagem: criação inteligência artificial / RBN
