Tarifaço dos EUA amplia pressão sobre exportações catarinenses e acende alerta na indústria

A entrada em vigor da tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre parte dos produtos brasileiros aumenta a preocupação da indústria nacional e, principalmente, de Santa Catarina, um dos estados mais dependentes do mercado norte-americano para suas exportações. A medida passou a valer nesta quarta-feira (22) e afeta milhares de itens vendidos pelo Brasil aos EUA.

Segundo estimativas da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) e da Amcham Brasil, o volume de exportações atingido varia entre US$ 7,2 bilhões e US$ 11 bilhões. Entre os cerca de 2,3 mil produtos alcançados pela nova tarifa estão máquinas e equipamentos, eletroeletrônicos, autopeças e calçados. Aproximadamente 700 produtos ficaram fora da sobretaxa.

Santa Catarina aparece entre os estados mais impactados. De acordo com levantamento da Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (FIESC), 54,5% da pauta exportadora catarinense destinada aos Estados Unidos será afetada pelas novas tarifas. Somando-se aos produtos que já enfrentavam sobretaxas aplicadas anteriormente, apenas 5,2% das exportações do Estado para o mercado norte-americano permanecem livres de encargos extras.

A Federação destaca que os reflexos tendem a ser mais intensos em regiões como Serra Catarinense, Oeste e Planalto Norte, onde setores industriais dependem significativamente das vendas para os Estados Unidos.

O presidente da FIESC, Gilberto Seleme, afirmou que a entidade esperava uma atuação diplomática mais intensa por parte do governo brasileiro para tentar reduzir os impactos da medida. Segundo ele, este é um momento que exige negociação e cautela para evitar um agravamento das relações comerciais entre os dois países.

A entidade também avalia que a adoção de medidas de reciprocidade pode aumentar ainda mais as dificuldades enfrentadas pelas empresas exportadoras e defende que o diálogo seja priorizado.

Além das negociações internacionais, a FIESC segue ampliando ações para auxiliar as empresas catarinenses na busca por novos mercados. Mais de 500 indústrias já receberam apoio da Federação, que prepara uma nova etapa do programa voltado à diversificação das exportações e ao fortalecimento da competitividade do setor.

Os Estados Unidos justificaram a aplicação das tarifas alegando questões ligadas ao comércio, como regras para pagamentos eletrônicos, acesso ao mercado de etanol, proteção da propriedade intelectual, combate à corrupção, acordos comerciais firmados pelo Brasil e temas ambientais. O governo brasileiro contesta os argumentos e afirma que a decisão tem caráter político e não reflete a relação comercial entre os dois países.

Por: Renato Santos

Imagem: criação inteligência artificial / RBN

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