O município de Schroeder é o único do Vale do Itapocú que aparece na lista de municípios com presença de agrotóxicos na água fornecida à população. A informação foi divulgada semana passada nos dados de uma pesquisa encaminhada pelo Ministério Público dentro do Programa Qualidade da Água. No caso de Schroeder, a coleta foi feita em 2018 e foram encontrados a Atrazina (0,116), proibido na Europa desde 2004 e Metolacloro (0,109), proibido no Brasil desde 2019.
Segundo o site da instituição, o objetivo foi verificar a qualidade da água tratada distribuída nos municípios catarinenses, inclusive em relação à presença de resíduos de agrotóxicos. Nas análises de resíduos de agrotóxicos feitas nas águas tratadas em 2018, 2019, 2020, 2022 e 2023, foram pesquisados 204 ingredientes ativos de agrotóxicos, sendo que as águas de abastecimento de todos os 295 municípios de Santa Catarina foram avaliadas quanto à presença de agrotóxicos em pelo menos uma ocasião. Do total de 295 municípios do Estado, 155 (52,5%) apresentaram pelo menos um ingrediente ativo de agrotóxicos na água de abastecimento.
As concentrações identificadas estavam abaixo dos parâmetros nacionais de potabilidade, atendendo aos valores máximos permitidos pela Portaria n. 888/2021, o que faz com que, pela legislação brasileira, essas águas não sejam consideradas impróprias para consumo.
SCHROEDER
A RBN entrou em contato com a Procuradoria do município de Schroeder e com o prefeito Jair Bridaroli. O setor jurídico retornou os contatos da RBN informando que a administração ainda está buscando mais informações sobre a pesquisa, já que não há inquérito civil sobre o fato. O setor informou ainda que realiza análises periódicas e “não há identificação de qualquer produto nocivo ou proibido nas análises realizadas”. A coleta em Schroeder acontece em dois pontos, que é na nascente do Rio Macaquinho e na Usina do Bracinho, dois locais que são antes das áreas agrícolas existentes. O prefeito não retornou os contatos da reportagem.
NÚMEROS
O estudo foi feito nas águas que abastecem os 295 municípios catarinenses, acendeu um alerta ao Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) para a presença de agrotóxicos no meio ambiente – incluindo aqueles de uso proibido no Brasil.
O levantamento ocorreu entre 2018 e 2023 dentro do Programa Alimento Sem Risco, do MPSC, que atua no monitoramento e no combate ao uso indiscriminado de agrotóxicos, e foi custeado pelo Fundo para Reconstituição de Bens Lesados (FRBL).
As análises foram realizadas em laboratórios credenciados, com coleta nas águas tratadas que abastecem todos os municípios do estado, abrangendo mananciais superficiais e subterrâneos. O objetivo foi identificar quais substâncias estão presentes, em que concentrações, e comparar com os limites da legislação brasileira.
O estudo revelou que, embora os níveis estejam dentro dos limites permitidos pela legislação brasileira, 155 municípios (52,5%) apresentam resíduos de agrotóxicos na água potável, indicando poluição ambiental que atinge não apenas os recursos hídricos – como água tratada, poços artesianos e bicas –, mas também o solo e o ar.
Ao todo, 42 resíduos ativos foram encontrados nas águas analisadas. Entre os detectados, cinco estão banidos no Brasil, de acordo com a Anvisa: benomil (por ter carbendazim – este banido – como ingrediente ativo), carbofurano, haloxifobe metílico, metolacloro e molinato.
NÚMEROS
Entre os municípios onde foram detectados resíduos de agrotóxicos na água tratada, os dados revelam diferenças significativas entre as regiões catarinenses.
Na mesorregião Oeste, 63 dos 118 municípios apresentaram ao menos um ingrediente ativo. No Norte, foram 11 de 26 (42,3%), enquanto na Serra, 10 dos 30 (33,3%). Na Grande Florianópolis, 12 dos 21 municípios analisados (57,1%) tiveram resíduos, e no Sul do estado o índice chegou a 35 de 46 (76,1%). Já no Vale do Itajaí, 24 dos 54 municípios (44,4%) registraram algum tipo de poluição.
O diagnóstico aponta o Vale do Itajaí como uma das regiões mais críticas. Embora a maioria dos municípios tenha apresentado um, dois ou três ingredientes ativos, casos como Ituporanga e Imbuia chamam atenção pela presença simultânea de diversos resíduos químicos.
Em Imbuia, por exemplo, foram identificados 17 tipos diferentes de resíduos de agrotóxicos, incluindo dois ingredientes ativos proibidos no Brasil desde 2019, mas encontrados em amostras de 2022 e 2023. Também em Imbuia foi encontrado um fungicida em concentração superior a 12 microgramas por litro (µg/L), patamar considerado elevado por especialistas.
Já em Ituporanga, as análises apontaram a presença simultânea de 23 ingredientes ativos de agrotóxicos, com nove substâncias acima de 1,000 micrograma por litro (µg/L). Na região, também foram encontrados resíduos de fungicidas banidos no país.
Confira a pesquisa completa no site oficial do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC).
