Tabagismo preocupa entre jovens e mais de 21 mil catarinenses buscaram ajuda no SUS em 2025

O avanço do tabagismo entre os jovens brasileiros também acende um alerta em Santa Catarina. Uma pesquisa nacional aponta que 19% das pessoas entre 16 e 24 anos se declaram fumantes, índice superior à média brasileira, de 17%, e o maior entre todas as faixas etárias analisadas.

O cenário ganha ainda mais atenção no Estado diante dos dados sobre o uso de cigarros eletrônicos entre adolescentes. Levantamentos realizados em Santa Catarina apontam índices elevados de experimentação dos chamados vapes, enquanto a procura por tratamento para abandonar o cigarro permanece significativa na rede pública de saúde.

Em 2025, mais de 21 mil pessoas procuraram atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em Santa Catarina para parar de fumar. Desse total, 16.163 usuários tinham entre 18 e 60 anos, concentrando a maior parte da procura por auxílio.

Ainda no mesmo ano, 17.796 catarinenses efetivamente iniciaram o tratamento para cessação do tabagismo, segundo dados da Secretaria de Estado da Saúde (SES).

A rede pública de atendimento para quem deseja abandonar o cigarro está presente em aproximadamente 84% dos municípios catarinenses, ampliando o acesso ao tratamento, principalmente entre o público adulto.

Uso de vape preocupa entre adolescentes

Enquanto os serviços de saúde registram a procura de adultos pelo tratamento, os dados sobre o contato de adolescentes com os dispositivos eletrônicos chamam atenção.

Uma pesquisa da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) aponta que 27,4% dos estudantes entrevistados em escolas públicas já experimentaram cigarros eletrônicos.

Outros levantamentos regionais baseados em dados de censos escolares indicam um percentual ainda maior. Em algumas análises, 38,7% dos adolescentes catarinenses afirmam já ter utilizado vape ao menos uma vez na vida.

Os números mostram que o cigarro eletrônico se tornou um dos principais pontos de preocupação relacionados à iniciação ao consumo de nicotina entre os mais jovens.

Cigarro convencional também preocupa

O consumo tradicional de cigarros entre adolescentes catarinenses também aparece em níveis elevados. Levantamentos citados em dados escolares apontam que 28% dos adolescentes já consumiram cigarros convencionais, percentual acima dos 21% registrados em pesquisas anteriores.

A combinação entre cigarro tradicional e dispositivos eletrônicos amplia o desafio para as políticas de prevenção, especialmente porque o primeiro contato com o cigarro ocorre cedo.

Na pesquisa nacional realizada pelo A.C.Camargo Cancer Center em parceria com a Nexus, o primeiro contato com o cigarro acontece, em média, aos 16 anos.

Sul concentra maior percentual de fumantes

O levantamento nacional também mostra que o Sul do país apresenta o maior índice de tabagismo entre as regiões brasileiras. 22% dos entrevistados da região se declararam fumantes, acima dos percentuais registrados no Sudeste (19%), Nordeste (13%) e Norte/Centro-Oeste (13%).

No recorte nacional, a faixa de 16 a 24 anos apresentou 19% de fumantes, enquanto entre pessoas de 25 a 40 anos o índice foi de 15%. Entre 41 e 59 anos, chegou a 17%, e entre os maiores de 60 anos, a 16%.

Fumo passivo atinge um terço da população

A preocupação não se limita aos fumantes. A pesquisa aponta que 33% dos brasileiros convivem frequentemente com fumantes em ambientes domésticos ou de trabalho. A exposição à fumaça também pode provocar problemas de saúde e elevar o risco de câncer de pulmão mesmo entre pessoas que nunca fumaram.

Os dados reforçam a importância da prevenção e da oferta de tratamento para quem deseja abandonar o tabaco, ao mesmo tempo em que o crescimento da experimentação de cigarros eletrônicos entre adolescentes representa um novo desafio para as políticas de saúde pública em Santa Catarina.

OBS: É PROIBIDA A REPRODUÇÃO DESTE CONTEÚDO

Por: Renato Santos

Imagens: reprodução

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