Empresas catarinenses exportadoras mais atingidas pela nova tarifa de 25% aplicada pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros terão acesso a um pacote emergencial de apoio do Governo de Santa Catarina. As medidas serão executadas ao longo de três meses e, segundo o Estado, podem alcançar R$ 186 milhões, com o objetivo de preservar cerca de 43 mil empregos diretos.
A proposta foi construída com apoio técnico da Federação das Indústrias de Santa Catarina (FIESC), que forneceu dados e análises para identificar os setores e empresas mais expostos às novas regras comerciais.
De acordo com o levantamento da Secretaria de Estado da Fazenda (SEF/SC), 132 empresas catarinenses apresentam risco direto de perda de competitividade no mercado norte-americano.
Crédito e prazo maior para pagamento do ICMS
O pacote será dividido em duas medidas principais.
A primeira prevê a liberação de R$ 126 milhões em créditos de ICMS decorrentes das exportações durante três meses. Poderão acessar o mecanismo empresas que tenham pelo menos 5% do faturamento anual impactado pela elevação das tarifas.
A segunda medida permitirá a postergação do pagamento do ICMS por 60 dias, também durante três meses. A Fazenda estima que até R$ 60 milhões em impostos poderão ter o pagamento adiado.
As empresas foram classificadas conforme o nível de exposição aos efeitos da tarifa, entre as categorias “gerenciável”, “relevante”, “alto” e “crítico”.
Segundo o economista-chefe da FIESC, Pablo Bittencourt, a classificação leva principalmente em consideração quanto das exportações destinadas aos Estados Unidos representa do faturamento total de cada empresa. Quanto maior essa participação, maior o risco para o negócio.
A FIESC também informou que o Fisco estadual avalia a possibilidade de criar mecanismos de diferimento do ICMS na compra de insumos e energia elétrica utilizados na industrialização.
US$ 6,3 bilhões foram exportados por SC aos EUA
Entre agosto de 2025 e julho de 2026, empresas catarinenses exportaram aproximadamente R$ 6,3 bilhões em produtos para os Estados Unidos.
Desse total, cerca de R$ 3,8 bilhões, ou aproximadamente 60%, correspondem a mercadorias potencialmente atingidas pela nova tarifa específica de 25%.
Outros R$ 2,5 bilhões ficaram fora da cobrança. Desse montante, 33% estão submetidos à chamada Seção 232, que prevê restrições globais dos Estados Unidos por questões de segurança nacional, enquanto outros 7% foram expressamente excluídos da tarifa.
Apesar da exposição, o impacto não é uniforme entre as empresas. O levantamento aponta que 509 empresas, quase 80% do total, tiveram menos de 5% do faturamento afetado. Por isso, a maior parte foi classificada nos níveis de exposição considerados baixo ou gerenciável.
Madeira e móveis estão entre os setores mais afetados
Entre os segmentos da economia catarinense, a indústria de madeira e seus derivados, incluindo móveis, aparece como a mais exposta às novas tarifas. Quase 40% das exportações do setor para os Estados Unidos estão potencialmente sujeitas ao impacto.
Na sequência aparecem os fabricantes de motores elétricos e transformadores, com 29,1% das exportações para o mercado norte-americano expostas, e o segmento de blocos de motor, compressores e bombas, com 11,8%.
Para o presidente da FIESC, Gilberto Seleme, as medidas estaduais representam uma tentativa de reduzir os efeitos sobre a geração de emprego e renda nas cadeias produtivas diretamente afetadas.
A entidade também destaca a necessidade de ampliar a busca por novos mercados. Segundo a análise, empresas catarinenses já vêm adotando estratégias de diversificação, movimento que ocorre paralelamente ao crescimento de 4,4% das exportações de Santa Catarina em 2025, mesmo diante das dificuldades no comércio com os Estados Unidos.
SC já havia anunciado pacote em 2025
O Governo de Santa Catarina afirma que o novo programa dá continuidade às medidas adotadas em agosto de 2025, quando foram anunciadas ações tributárias e financeiras para apoiar empresas afetadas pelo primeiro aumento das tarifas norte-americanas.
Na ocasião, o pacote estadual chegou a R$ 435 milhões.
Segundo a Secretaria da Fazenda, Santa Catarina é o único Estado brasileiro a ter criado medidas específicas de apoio às empresas prejudicadas pelo aumento das tarifas dos Estados Unidos nos dois momentos.
Para a indústria catarinense, o novo pacote busca preservar o fluxo de caixa das empresas mais expostas e reduzir os efeitos do tarifaço sobre a competitividade e os empregos.
