A restrição à circulação de veículos pesados na Serra Dona Francisca, na SC-418, tem provocado reflexos no trânsito da região Norte de Santa Catarina. Com caminhões, veículos articulados e ônibus de linha interestadual impedidos de utilizar o trecho, parte desse fluxo passou a buscar a BR-280 como rota alternativa, aumentando a movimentação entre Corupá e São Bento do Sul.
Atualmente, o trânsito na SC-418 funciona no sistema Pare e Siga para veículos leves. Já veículos com peso superior a 7,5 toneladas, conjuntos articulados e ônibus interestaduais precisam utilizar caminhos alternativos, principalmente a BR-280 ou a BR-376.
Na prática, a mudança tem colocado ainda mais pressão sobre uma rodovia que já apresenta tráfego elevado e histórico de acidentes.
Mais caminhões e lentidão na BR-280
Nos últimos dias, motoristas que utilizam a BR-280 entre Corupá e São Bento do Sul têm enfrentado aumento no número de caminhões e, consequentemente, momentos de lentidão e formação de filas.
A situação se torna ainda mais complicada em períodos de chuva. Com a pista molhada e as condições mais difíceis de aderência, caminhões pesados encontram dificuldades para vencer os trechos de subida da rodovia. Quando um veículo perde velocidade ou não consegue avançar, o trânsito acaba sendo represado e a fila se estende rapidamente.
O problema afeta principalmente quem segue em direção ao Planalto Norte, mas também provoca reflexos no sentido contrário.
BR-280 já opera com fluxo elevado
A pressão sobre a BR-280 preocupa porque a rodovia já registra uma movimentação intensa diariamente. Em média, 1.200 veículos passam por hora pelo trecho, o que representa aproximadamente 28,8 mil veículos por dia. Mantido esse ritmo, são quase 893 mil veículos por mês e mais de 10,5 milhões de veículos ao longo de um ano.
Além dos automóveis, a rodovia é utilizada por um grande número de veículos de carga. Segundo estimativa da Defesa Civil de Corupá, mais de um milhão de litros de combustíveis são transportados diariamente pelo trecho. A presença desse volume de cargas perigosas aumenta a preocupação com a segurança, especialmente diante do tráfego intenso e das condições da estrada.
Histórico de acidentes preocupa
O histórico recente reforça a necessidade de atenção com a BR-280. Levantamento da Defesa Civil de Corupá aponta que, nos últimos cinco anos, foram registrados 536 acidentes de trânsito na rodovia. No mesmo período, também foram contabilizados 47 incêndios em veículos.
Os números mostram que o aumento do fluxo de caminhões ocorre justamente em uma rodovia que já enfrenta desafios relacionados à segurança e à capacidade de tráfego.
Dados da Polícia Rodoviária Federal também ajudam a dimensionar o problema. Entre Jaraguá do Sul e São Bento do Sul, de janeiro até o final de maio de 2026, foram registrados 54 acidentes, com 67 pessoas feridas e cinco mortes.
No mesmo período de 2025, também haviam sido registrados 54 acidentes. Naquele ano, porém, foram contabilizados 81 feridos e seis mortes.

Trecho entre Corupá e São Bento concentra ocorrências
Considerando especificamente o trecho entre Corupá e São Bento do Sul, a PRF registrou, nos cinco primeiros meses de 2026, 38 acidentes, que deixaram 50 pessoas feridas e duas morreram.
No mesmo intervalo de 2025, foram registrados 40 acidentes, com 63 feridos e seis mortes.
Embora os números deste ano apontem redução nas ocorrências, o aumento do tráfego de veículos pesados provocado pela restrição na SC-418 acrescenta um novo fator de preocupação para quem depende diariamente da BR-280.
Motoristas enfrentam duas alternativas
Com a Serra Dona Francisca limitada para veículos pesados, caminhoneiros que precisam chegar ao Planalto Norte ou atravessar a região têm como principais alternativas a BR-280, passando por Corupá e São Bento do Sul, ou a BR-376, dependendo da origem e do destino.
O problema é que a concentração desse tráfego na BR-280 acontece em uma rodovia que já recebe milhares de veículos diariamente. Em dias de tempo seco, o aumento do número de caminhões já contribui para a formação de filas em determinados pontos. Quando chove, a situação pode se agravar, principalmente nos trechos de subida, onde veículos pesados podem perder velocidade e provocar o bloqueio temporário do fluxo.
Para os motoristas, o cenário representa mais tempo de viagem e maior necessidade de atenção, especialmente durante períodos de chuva. Enquanto a restrição na SC-418 permanecer, a BR-280 continuará sendo uma das principais rotas para o transporte de cargas em direção ao Planalto Norte, colocando ainda mais em evidência a necessidade de investimentos e melhorias na infraestrutura da rodovia.
Por: Renato Santos
Imagens: PMR / RÁDIO RBN
