Projeto prevê benefícios para empresas afetadas por redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais

Um projeto em análise na Câmara dos Deputados prevê medidas temporárias para reduzir os impactos econômicos da mudança da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais. A proposta, de número 3261/26, cria benefícios para empresas que comprovarem dificuldades de adaptação após a redução da carga horária sem corte de salários.

As medidas seriam destinadas a microempreendedores individuais (MEIs) com funcionários, microempresas, empresas de pequeno porte, produtores rurais e agricultores familiares empregadores, cooperativas de produção rural com empregados e outros setores definidos pelo governo federal.

Para ter acesso aos benefícios, o empregador deverá comprovar a adoção da nova jornada, a manutenção ou ampliação dos empregos formais e a existência de impacto econômico relevante causado pela mudança. Também será exigida regularidade fiscal, previdenciária e trabalhista.

Entre as medidas previstas está a desoneração da contribuição previdenciária sobre os salários dos trabalhadores mantidos ou contratados durante o período de adaptação. O benefício teria duração inicial de cinco anos, podendo ser prorrogado por mais cinco anos mediante avaliação dos impactos econômicos e sociais.

O texto também prevê que o governo federal apresente ao Congresso uma proposta de medidas tributárias para micro e pequenas empresas e MEIs afetados pela mudança. Entre as possibilidades está a redução temporária de pelo menos 50% do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL).

A proposta ainda cria linhas de crédito subsidiadas para capital de giro, modernização tecnológica, automação, aumento da produtividade e qualificação profissional. Os financiamentos teriam carência mínima de 24 meses e prazo de pagamento de até 15 anos.

Como contrapartida, as empresas beneficiadas deverão manter os empregos formais e não poderão realizar fraudes ou reduções artificiais no quadro de funcionários para obter as vantagens.

O autor do projeto, deputado Luiz Carlos Hauly (Pode-PR), argumenta que a redução da jornada pode elevar os custos de empresas que dependem de mão de obra, especialmente pequenos negócios, exigindo reorganização produtiva e investimentos em tecnologia.

A redução da jornada para 40 horas semanais está prevista na PEC 221/19, aprovada pela Câmara em maio e atualmente em análise no Senado. A proposta estabelece limite de cinco dias de trabalho por semana, com dois dias de descanso e sem redução salarial.

O projeto 3261/26 ainda será analisado pelas comissões de Previdência, Assistência Social, Infância, Adolescência e Família; de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Para entrar em vigor, precisa ser aprovado pela Câmara e pelo Senado.

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