Os governos dos estados que integram o Conselho de Desenvolvimento e Integração Sul (Codesul) manifestaram preocupação com o plano do Governo Federal de dividir a concessão da Malha Sul ferroviária em diferentes lotes. Em documento encaminhado ao Ministério dos Transportes, os estados defendem que a estrutura seja mantida de forma integrada para evitar prejuízos logísticos e econômicos à região Sul.
A proposta do ministério prevê a separação da malha ferroviária em três corredores distintos, dois deles com trechos que passam por Santa Catarina. A medida faz parte do processo de renovação da concessão ferroviária, cujo contrato atual termina em fevereiro de 2027.
No entendimento dos estados, a divisão pode comprometer a integração logística entre os territórios do Sul do país e dificultar a conexão eficiente com portos, centros industriais e mercados consumidores.
O documento destaca ainda que o modelo apresentado pelo governo federal não teria sido debatido previamente com os estados envolvidos. Segundo o Codesul, os governos estaduais também não tiveram acesso aos estudos técnicos que embasam a nova modelagem da concessão.
Além da preocupação com o futuro da malha ferroviária, os estados apontam problemas históricos acumulados ao longo da atual concessão, como deterioração da infraestrutura, redução da capacidade operacional e abandono de trechos ferroviários.
Santa Catarina possui atualmente apenas um trecho em operação dentro da Malha Sul: a linha ferroviária entre Mafra e São Francisco do Sul, utilizada principalmente para o transporte de grãos destinados à exportação pelo Porto de São Francisco do Sul.
No documento, os estados defendem que a nova concessão preserve a lógica de rede integrada, evitando fragmentações que possam gerar insegurança jurídica, perda de eficiência operacional e redução da competitividade logística da região.
Entre os pedidos encaminhados ao Ministério dos Transportes estão a manutenção da concessão em bloco, recuperação de trechos abandonados, acesso aos estudos técnicos do projeto e garantia de continuidade das operações durante a transição entre os contratos.
Os governos estaduais também informaram que pretendem contratar estudos próprios para avaliar os impactos da proposta federal sobre a logística ferroviária da região Sul.
