A confirmação da tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros pelos Estados Unidos provocou forte reação das principais entidades representativas da indústria nacional. Federações estaduais e a Confederação Nacional da Indústria (CNI) classificaram a medida como prejudicial à competitividade das empresas brasileiras e defenderam a intensificação das negociações diplomáticas para reverter as sobretaxas.
A nova cobrança, anunciada pelo governo do presidente Donald Trump, entra em vigor no dia 22 de julho e será aplicada aos produtos brasileiros que não integram a lista de exceções divulgada pelas autoridades norte-americanas.
FIESP vê perda de competitividade
A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) lamentou a decisão e afirmou que a medida coloca o Brasil em desvantagem frente aos concorrentes internacionais.
Em nota, a entidade destacou que continuará trabalhando em conjunto com parceiros norte-americanos para ampliar a lista de produtos isentos e buscar a reversão das tarifas.
CNI alerta para piora nas exportações
O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, afirmou que os efeitos das barreiras comerciais já são sentidos pelo setor produtivo brasileiro.
Segundo ele, 20 dos 27 estados brasileiros registraram queda nas exportações para os Estados Unidos no primeiro trimestre deste ano, cenário que tende a se agravar com a entrada em vigor da nova tarifa.
Fiemg defende diálogo
A Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg) também manifestou preocupação com a decisão norte-americana. Para a entidade, é fundamental que Brasil e Estados Unidos mantenham o diálogo e fortaleçam a cooperação comercial, considerando que o mercado americano continua sendo estratégico para a indústria brasileira.
FIESC prevê novo impacto para Santa Catarina
Em Santa Catarina, a Federação das Indústrias do Estado (FIESC) avalia que o chamado “Segundo Tarifaço” deve repetir os prejuízos observados após a primeira rodada de sobretaxas.
Levantamento da entidade indica que 54,5% da pauta exportadora catarinense será atingida pelas novas tarifas. Além disso, 40,3% das exportações do estado já enfrentam tarifas relacionadas à Seção 232 da legislação americana, deixando apenas 5,2% das vendas aos Estados Unidos livres de qualquer sobretaxa.
O presidente da FIESC, Gilberto Seleme, afirmou que a entidade esperava uma atuação diplomática mais intensa por parte do governo brasileiro e defendeu que este não é o momento para ampliar o conflito comercial por meio da aplicação de tarifas de reciprocidade.
Segundo a Federação, durante o primeiro ciclo de tarifas as exportações catarinenses para os Estados Unidos caíram 38,2%, impacto que contribuiu para que o estado deixasse de gerar cerca de 7,6 mil empregos.
Os maiores reflexos devem atingir setores instalados nas regiões Serrana, Oeste e Planalto Norte, áreas que concentram parte importante das exportações industriais catarinenses.
Produtos isentos e taxados
Embora a nova tarifa alcance milhares de produtos brasileiros, diversos itens ficaram fora da cobrança, entre eles café, carne bovina, suco de laranja, aeronaves e componentes aeronáuticos, considerados estratégicos para o mercado norte-americano.
Já produtos como vestuário, calçados, etanol, máquinas agrícolas, equipamentos industriais, papel e diversos manufaturados passarão a pagar a sobretaxa de 25%.
Enquanto acompanha os desdobramentos da decisão, a FIESC informou que prepara uma nova etapa do programa Destarifaço, voltado ao apoio das empresas catarinenses na busca por mercados alternativos e na redução dos impactos sobre a indústria e o emprego no estado.
