Construção mantém ritmo fraco e empresários seguem sem confiança no setor

A indústria da construção continua operando abaixo do desempenho registrado no ano passado. Em julho, o índice que mede a evolução da atividade do setor avançou apenas 0,1 ponto, chegando a 47,2 pontos, resultado que permanece abaixo da média histórica para o período.

Os dados fazem parte da Sondagem Indústria da Construção, divulgada nesta segunda-feira (24) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), em parceria com a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC).

A desaceleração também aparece na Utilização da Capacidade Operacional (UCO), indicador que mede o ritmo dos canteiros de obras. Em agosto, o índice caiu um ponto percentual, para 66%, ficando dois pontos abaixo do registrado no mesmo período do ano passado.

Apesar do cenário de menor atividade, o mercado de trabalho apresentou uma reação positiva. O índice de evolução do número de empregados subiu 0,4 ponto, alcançando 48,3 pontos, ficando 1,6 ponto acima da média registrada para os meses de julho.

Segundo o gerente de Análise Econômica da CNI, Marcelo Azevedo, a diferença entre o comportamento da atividade e do emprego é comum em momentos de desaceleração.

“Essa diferença entre os comportamentos é comum em situações de desaceleração da atividade, que leva um pouco de tempo a mais para começar a se refletir no emprego, sobretudo depois desse longo período de mercado de trabalho bastante aquecido”, explicou.

Confiança dos empresários segue em baixa

Mesmo com uma melhora no mês, o Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) da Construção permanece abaixo do nível considerado positivo. O indicador subiu 1,6 ponto em agosto, chegando a 47,2 pontos, mas continua abaixo da linha de 50 pontos, que separa confiança de falta de confiança.

Com isso, os empresários do setor mantêm uma visão pessimista sobre os próximos meses.

As expectativas indicam estabilidade nas compras de insumos e no número de trabalhadores. Para a atividade, os empresários projetam uma leve melhora, mas esperam redução nos lançamentos de novos empreendimentos e serviços.

Os principais indicadores de expectativa ficaram assim:

  • Compras de insumos e matérias-primas: 50,1 pontos;
  • Número de empregados: 50 pontos;
  • Nível de atividade: 50,6 pontos;
  • Novos empreendimentos e serviços: 48,7 pontos.

A intenção de investimento permaneceu estável em 42,2 pontos, ainda acima da média histórica do indicador, que é de 38,4 pontos.

A pesquisa ouviu 318 empresas do setor da construção entre os dias 3 e 12 de agosto de 2026, incluindo empresas de pequeno, médio e grande porte.

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