Uma verdadeira força-tarefa contra a poluição visual e os riscos elétricos vem transformando a paisagem urbana de Jaraguá do Sul. Dados obtidos com exclusividade pela Rádio RBN, mostram que entre janeiro de 2024 e fevereiro de 2026, a Celesc retirou 132,02 quilômetros de cabos obsoletos, clandestinos e irregulares do município — extensão equivalente à distância rodoviária entre Jaraguá do Sul e Florianópolis.
Ao todo, foram realizados 93 mutirões técnicos em 20 bairros da cidade, resultando na remoção de 33,75 toneladas de materiais considerados fora dos padrões de segurança. A ação integra um programa permanente de organização da infraestrutura compartilhada nos postes da companhia e tem como principal objetivo garantir mais segurança para a população, reduzir riscos de acidentes e evitar interrupções no fornecimento de energia elétrica.
Segundo a Celesc, a retirada da fiação irregular vai muito além da questão estética. O excesso de cabos abandonados ou instalados sem autorização pode provocar curtos-circuitos, rompimentos de rede e até incêndios. Em muitos casos, os fios pertencem a empresas sem contrato ativo ou instalados sem projeto técnico aprovado.
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Modelo pioneiro em Santa Catarina
Os resultados alcançados em Jaraguá do Sul são considerados referência no estado. O município passou a adotar um modelo pioneiro de cooperação institucional envolvendo a Celesc, o Ministério Público de Santa Catarina, a Prefeitura e operadoras de telecomunicações.
Pelo acordo firmado, as empresas passaram a seguir cronogramas obrigatórios de limpeza e manutenção da rede aérea, além da criação de uma entidade jurídica responsável pela gestão das manutenções e pelo recebimento de reclamações da comunidade.
A proposta é transformar Jaraguá do Sul em exemplo estadual de organização urbana, segurança elétrica e despoluição visual, com possibilidade de replicação em outras cidades catarinenses.
Fiscalização impacta até na tarifa de energia
A Celesc também destaca que o combate à ocupação irregular dos postes influencia diretamente no bolso do consumidor. Isso porque, conforme a regulamentação do setor, 60% da receita obtida com o aluguel dos postes para empresas de telecomunicações retorna como abatimento na tarifa de energia elétrica.
“O combate à fiação clandestina protege a receita que ajuda a reduzir a conta de luz dos consumidores”, afirmou o gerente regional da Celesc, Danilson Agnaldo Mendes Wolff.
Prazo para regularização
De acordo com o protocolo de fiscalização, as operadoras notificadas têm prazo de até 30 dias para regularizar a situação após a identificação das irregularidades. Nos casos de risco iminente ou ausência de providências, a remoção dos cabos é feita imediatamente pela companhia.
Para utilizar a estrutura dos postes da Celesc, as empresas devem apresentar projetos técnicos e cumprir rigorosamente as normas de segurança e distanciamento entre redes.
Atenção da população
A Celesc reforça o alerta para que moradores nunca toquem em fios caídos ou rompidos. Em situações de risco ou irregularidade, a orientação é acionar imediatamente o canal oficial de atendimento pelo telefone 0800 048 0196.
Por: Renato Santos
