BR-280 se transforma em gargalo logístico e expõe crise de infraestrutura no Norte de Santa Catarina

Responsável por ligar o Porto de São Francisco do Sul ao Norte e ao Planalto Norte catarinense, a BR-280 se tornou um dos principais gargalos logísticos de Santa Catarina. Com fluxo intenso de caminhões, alto número de acidentes e obras de duplicação que se arrastam há anos, a rodovia virou símbolo dos problemas de infraestrutura enfrentados pelo estado.

A estrada é estratégica para a economia catarinense por conectar polos industriais como Jaraguá do Sul, Joinville, Araquari e São Francisco do Sul, além de servir como principal corredor de escoamento de cargas para o porto do litoral Norte. Apesar da importância econômica, motoristas convivem diariamente com congestionamentos, pistas simples, filas de caminhões, travessias urbanas perigosas e longos trechos sem duplicação.

Rodovia concentra milhares de veículos por dia

Segundo o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes, cerca de 50 mil veículos circulam diariamente por alguns trechos da BR-280, especialmente entre Araquari e São Francisco do Sul — justamente um dos segmentos mais problemáticos da rodovia.

O volume elevado inclui grande circulação de caminhões que transportam cargas industriais, contêineres e produtos destinados ao Porto de São Francisco do Sul, um dos mais importantes do Sul do país.

A consequência aparece no trânsito:

  • congestionamentos frequentes;
  • lentidão em horários de pico;
  • filas de caminhões;
  • dificuldade de ultrapassagem;
  • aumento do tempo de viagem;
  • prejuízos logísticos para empresas da região.

Acidentes e mortes reforçam sensação de insegurança

Além da lentidão, a BR-280 também acumula números preocupantes de acidentes. Dados da Polícia Rodoviária Federal apontam que somente em 2023 foram registrados 709 acidentes na rodovia em Santa Catarina, com 33 mortes e 823 pessoas feridas.

Já em 2024, a BR-280 voltou a aparecer entre as rodovias federais mais violentas do estado, registrando 754 acidentes e 47 mortes. Trechos como a Serra de Corupá, o acesso ao Porto de São Francisco do Sul e segmentos urbanos em Guaramirim e Jaraguá do Sul são considerados críticos por motoristas e autoridades.

Em muitos pontos, a combinação entre pista simples, fluxo pesado de caminhões e ultrapassagens perigosas aumenta significativamente o risco de colisões frontais.

Duplicação avança lentamente

As obras de duplicação da BR-280 começaram oficialmente em 2018 e abrangem cerca de 73,9 quilômetros entre São Francisco do Sul e Jaraguá do Sul. O projeto foi dividido em três lotes: lote 1, lote 2.1 e lote 2.2. Mesmo após anos de obras, os trabalhos ainda estão longe da conclusão total. Dados mais recentes do DNIT mostram:

  • Lote 1 com cerca de 26% executado;
  • Lote 2.1 com aproximadamente 74%;
  • Lote 2.2 com cerca de 65% das obras concluídas.

Um dos trechos mais complexos envolve a construção do túnel duplo no Morro do Vieira, entre Jaraguá do Sul e Schroeder, considerado um dos maiores desafios de engenharia da duplicação.

Economia sofre impactos do atraso

Entidades empresariais e transportadores afirmam que a demora nas obras gera impactos diretos na competitividade do Norte catarinense. A BR-280 é considerada essencial para o escoamento da produção industrial da região, que concentra um dos maiores polos metalmecânicos do Brasil.

Somente Joinville, Jaraguá do Sul e São Francisco do Sul somam um Produto Interno Bruto estimado em cerca de R$ 30 bilhões, representando parcela significativa da economia catarinense.

Empresários apontam:

  • aumento no custo do frete;
  • atrasos logísticos;
  • perda de produtividade;
  • dificuldades de acesso ao porto;
  • impacto na atração de investimentos.

Cobrança por soluções aumenta

Diante dos atrasos e da lentidão das obras, cresce a pressão política e empresarial por soluções definitivas para a BR-280.

Entre as propostas debatidas estão:

  • aceleração da duplicação;
  • estadualização de trechos;
  • concessão à iniciativa privada;
  • novos investimentos federais;
  • ampliação da capacidade logística do corredor.

Enquanto isso, motoristas seguem convivendo diariamente com uma rodovia considerada vital para a economia catarinense, mas que ainda opera em condições abaixo da demanda atual.

Por: Renato Santos

Imagem: Dnit

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