Bets ampliam endividamento e preocupam empresas

O crescimento das apostas esportivas online tem ampliado um problema que já preocupa especialistas em finanças: o aumento do endividamento das famílias brasileiras. Em um cenário de crédito caro e inadimplência recorde, as bets passaram a comprometer o orçamento de milhões de pessoas e seus reflexos já começam a ser sentidos também dentro das empresas.

Dados recentes mostram que o Brasil atingiu, em 2026, o maior número de consumidores negativados da história, com 83,5 milhões de inadimplentes. Nesse contexto, um estudo do Banco Central aponta que as apostas online já superaram os juros bancários como principal fator de endividamento entre famílias de baixa renda. Em Santa Catarina, desde outubro de 2025, o NAS, Núcleo de Apoio ao Superendividado já atendeu 189 consumidores, com dívidas que ultrapassam R$ 20 milhões.

Para a mentora financeira Anamara Dreilich, o problema vai muito além da perda de dinheiro. Segundo ela, as apostas criam um ciclo de comportamento que dificulta a recuperação financeira e pode comprometer outras áreas da vida.

“As apostas são apresentadas como uma oportunidade de ganhar dinheiro rapidamente, mas muitas pessoas acabam entrando em uma lógica de tentar recuperar o que perderam. Quando a expectativa de ganho substitui o planejamento financeiro, as decisões deixam de ser racionais e passam a ser guiadas pela emoção”, explica.

Os impactos desse comportamento também chegam ao ambiente corporativo. Colaboradores endividados tendem a apresentar níveis mais elevados de estresse, dificuldade de concentração e queda de produtividade, afetando o desempenho individual e, consequentemente, os resultados das empresas.

“Um profissional preocupado constantemente com dívidas dificilmente consegue dedicar toda a sua atenção ao trabalho. Isso interfere no foco, na capacidade de tomar decisões e até na qualidade das relações dentro da equipe. Por isso, saúde financeira também deve ser vista como um tema estratégico para as organizações”, destaca.

Segundo Anamara, muitas empresas já começam a investir em ações de educação financeira como forma de promover bem-estar e prevenir situações de superendividamento entre os colaboradores. Ela reforça que o enfrentamento do problema passa pela conscientização sobre os riscos das apostas e pela construção de hábitos financeiros mais saudáveis.

“O dinheiro utilizado nas apostas normalmente deixa de cumprir objetivos importantes, como quitar dívidas, formar uma reserva de emergência ou realizar projetos pessoais. Recuperar o controle das finanças exige planejamento, mudança de comportamento e a compreensão de que não existe ganho fácil quando o assunto é dinheiro”, afirma.

Com atuação em mentorias, treinamentos e palestras para pessoas e empresas, Anamara Dreilich desenvolve trabalhos voltados ao planejamento financeiro e à construção de hábitos conscientes, mostrando que a educação financeira é uma das principais ferramentas para reduzir o endividamento, fortalecer a saúde financeira e melhorar a qualidade de vida.

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