Pesquisa aponta que 43% dos jogadores deixaram de comprar produtos ou pagar serviços para direcionar recursos às plataformas de apostas
As apostas online já estão influenciando diretamente as escolhas de consumo de parte dos brasileiros. Uma pesquisa aponta que 43% dos apostadores afirmam ter deixado de gastar com algum produto, serviço ou necessidade cotidiana para direcionar dinheiro aos jogos.
O levantamento “Apostas Online: entre o prazer do jogo e o risco financeiro” foi realizado pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), em parceria com a Offerwise Pesquisas.
Os dados mostram que o impacto das apostas vai além dos valores depositados nas plataformas. Quando o dinheiro usado nos jogos sai de um orçamento já comprometido, outras despesas acabam sendo reduzidas, adiadas ou eliminadas.
Entre os itens mais afetados está o acesso à internet. Cerca de 15% dos apostadores afirmam ter deixado de gastar com esse serviço para utilizar o dinheiro em apostas. O dado chama atenção porque a conexão é essencial para trabalho, estudos, comunicação, acesso a serviços públicos e também para o próprio funcionamento das plataformas de jogos.
Outros 13% disseram ter reduzido recursos destinados a contas básicas, como água, energia elétrica e telefone, para continuar apostando. Segundo a pesquisa, a mudança indica uma situação mais delicada, já que envolve despesas essenciais e pode gerar atrasos, multas e aumento da pressão financeira.
Passeios em família, compras de roupas e gastos com alimentação fora de casa ou por delivery também aparecem entre os itens afetados, com 12% das citações cada. A redução desses gastos mostra que as apostas passam a disputar espaço com atividades de lazer, convivência familiar e consumo cotidiano.
O levantamento também aponta crescimento no valor médio gasto pelos apostadores. Em 2026, a média mensal chegou a R$ 213, contra R$ 187 no ano anterior, uma alta aproximada de 14%. Além disso, 23% dos jogadores afirmam já ter apostado valores que comprometeram a renda ou o equilíbrio financeiro.
Especialistas alertam que o risco aumenta quando as apostas são encaradas como uma forma de renda ou como tentativa de recuperar valores perdidos. Nesses casos, o consumidor pode reduzir outros gastos na expectativa de obter um retorno futuro.
A pesquisa destaca que o impacto das apostas deve ser analisado não apenas pelo dinheiro colocado nas plataformas, mas também pelo que deixa de ser consumido ou pago para manter o hábito, como contas atrasadas, compras adiadas e redução de atividades de lazer.
