Acidentes na BR-280 preocupam setor industrial e reforçam pressão por obras entre Jaraguá do Sul e Rio Negrinho

A elevada quantidade de acidentes registrados na BR-280, entre Jaraguá do Sul e Rio Negrinho, voltou a acender o alerta do setor produtivo catarinense. A Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc) afirma que os impactos da precariedade da rodovia vão muito além das perdas humanas e já provocaram prejuízos superiores a R$ 3,5 bilhões para a indústria da região nos últimos dez anos.

Segundo o presidente do Conselho de Logística e Transporte da Fiesc, a situação exige medidas urgentes por parte do Governo Federal. A entidade cobra investimentos imediatos na manutenção da rodovia, estudos para a duplicação do trecho serrano e a implantação de áreas de escape nos pontos considerados mais críticos, onde caminhões frequentemente enfrentam problemas mecânicos e acidentes.

De acordo com a Fiesc, o próprio Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) reconhece as condições precárias da BR-280. A federação também critica o fato de que recursos já previstos no orçamento da União ainda não foram efetivamente aplicados na rodovia.

Os números ajudam a dimensionar a importância estratégica da BR-280 para Santa Catarina. A via é um dos principais corredores logísticos do Estado, ligando o Porto de São Francisco do Sul ao Planalto Norte e ao Oeste catarinense.

Pela rodovia circulam, em média, 1.200 veículos por hora, o equivalente a aproximadamente 28.800 veículos por dia, quase 893 mil por mês e mais de 10,5 milhões de veículos por ano.

Além do intenso fluxo de automóveis e caminhões, a Defesa Civil de Corupá estima que mais de um milhão de litros de combustíveis sejam transportados diariamente pelo trecho, aumentando o potencial de risco em caso de acidentes envolvendo cargas perigosas.

Levantamento da Defesa Civil de Corupá aponta que, somente nos últimos cinco anos, foram registrados 536 acidentes de trânsito na BR-280, além de 47 incêndios em veículos, demonstrando a gravidade da situação enfrentada diariamente por motoristas que utilizam a rodovia.

Os dados mais recentes da Polícia Rodoviária Federal também chamam atenção. Entre Jaraguá do Sul e São Bento do Sul, durante o mês de maio de 2026, foram contabilizados 54 acidentes, que deixaram 67 pessoas feridas e provocaram cinco mortes. No mesmo período de 2025, também foram registrados 54 acidentes, porém com 81 feridos e seis mortes.

No trecho entre Corupá e São Bento do Sul, a PRF registrou, em maio deste ano, 38 acidentes, com 50 feridos e duas mortes. Em maio de 2025 haviam sido 40 acidentes, 63 feridos e seis vítimas fatais.

Embora os indicadores apresentem redução no número de mortos e feridos em comparação ao ano anterior, o volume de ocorrências continua elevado e reforça a necessidade de investimentos estruturais na rodovia.

Para a Fiesc, melhorar as condições da BR-280 significa aumentar a segurança dos usuários, reduzir os custos logísticos da indústria catarinense e garantir maior competitividade para um dos principais corredores de transporte de cargas do Estado.

Por: Renato Santos

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