Presidente do Paraguai apresenta renúncia em meio a crise em banco do país

A decisão foi comunicada pelo próprio presidente em um vídeo publicado nas redes sociais. Peña afirmou que este é um dos momentos mais difíceis de sua vida e justificou a saída como uma medida para preservar a estabilidade do país e as instituições democráticas.

Segundo a imprensa paraguaia, a renúncia ainda precisa ser aceita pelo Congresso Nacional. Uma sessão deverá ser convocada para analisar o pedido.

A crise ganhou força depois que o Banco Central do Paraguai iniciou, na terça-feira, um processo de liquidação do Ueno Bank. A instituição, pertencente ao Grupo Vázquez, apresentou problemas nos índices de solvência, relacionados a empréstimos concedidos a empresas ligadas ao próprio grupo.

O banco atendia aproximadamente três milhões de clientes e concentrava cerca de 850 milhões de dólares em depósitos públicos, valor equivalente a aproximadamente 4,6 bilhões de reais. Entre os recursos estavam valores vinculados ao Instituto de Previdência Social do Paraguai.

Santiago Peña, economista que chegou à Presidência em 2023, foi acionista do grupo controlador da instituição até março de 2025. A ligação anterior com o banco motivou questionamentos da oposição, que levantou suspeitas de conflito de interesses, possíveis irregularidades na gestão de recursos previdenciários e falhas na fiscalização do Banco Central.

Durante uma sessão parlamentar, a deputada oposicionista Rocío Vallejo responsabilizou politicamente o presidente pela crise e apresentou acusações que deram sustentação ao processo de impeachment.

Antes de anunciar a renúncia, Peña declarou, por meio da rede social X, que os responsáveis por eventuais irregularidades deverão responder à Justiça. O presidente também promulgou uma lei destinada a acelerar a recuperação dos valores pelos clientes do banco.

Em seu pronunciamento, pediu que os diferentes setores políticos priorizem os interesses dos poupadores. A saída de Peña abre um novo capítulo na crise política paraguaia. A efetivação da renúncia depende agora da decisão do Congresso, enquanto o país acompanha os desdobramentos da situação envolvendo o sistema financeiro e os recursos dos correntistas.

Imagem: agência Brasil

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