A circulação de listas com nomes de empresas, comerciantes e profissionais que podem ser alvo de boicote por suas preferências políticas tem gerado preocupação em diferentes setores da sociedade. Nas últimas semanas, entidades empresariais e órgãos ligados ao sistema de Justiça manifestaram-se contra iniciativas que incentivam a exposição pública e a retaliação econômica por motivos político-partidários.
O debate ganhou força após as eleições de 2026, diante de relatos de constrangimentos, discriminação e perseguição profissional.
Setor empresarial manifesta preocupação
A Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) foi uma das primeiras entidades empresariais a se posicionar. Em nota pública, a associação repudiou a divulgação de listas que identificam estabelecimentos comerciais por seus posicionamentos políticos e estimulam consumidores a deixar de frequentá-los.
A entidade ressalta que empresários possuem diferentes convicções políticas e que a pluralidade de opiniões deve ser respeitada. Também alerta que campanhas destinadas a prejudicar economicamente empresas podem resultar em responsabilização judicial, além de afetar funcionários e trabalhadores que dependem desses negócios para garantir sua renda.
A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), também condenou a exposição de empresas, profissionais e cidadãos em razão de suas preferências políticas. A entidade destacou que a liberdade de manifestação e a diversidade de ideias são princípios fundamentais do Estado Democrático de Direito.
Ministério Público do Trabalho acompanha denúncias
O Ministério Público do Trabalho (MPT) também acompanha situações envolvendo o uso de plataformas digitais para incentivar empregadores a investigar, expor, deixar de contratar ou demitir trabalhadores em razão de suas escolhas eleitorais. O órgão ingressou com uma ação civil pública contra a Meta, responsável pelo Instagram, Facebook e Threads, solicitando a retirada de conteúdos que estimulem práticas de assédio eleitoral.
De acordo com o procurador do trabalho Maurício de Mello, o MPT recebeu 1.140 denúncias nos três dias seguintes ao segundo turno das eleições. Desde o início da campanha eleitoral, foram registradas 3.080 ocorrências.
O presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST), Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, também chamou atenção para os impactos dessas práticas, que podem atingir não apenas trabalhadores com carteira assinada, mas também profissionais autônomos e pequenos comerciantes.
O episódio reacende o debate sobre os limites da liberdade de manifestação, o direito de escolha dos consumidores e a proteção de trabalhadores e empresários contra possíveis práticas de discriminação motivadas por divergências políticas.
