Violência contra mulheres com deficiência expõe cenário de agressões em Santa Catarina

Dados nacionais apontam mais de 4,4 milhões de mulheres com deficiência vítimas de violência doméstica ou familiar; no Norte catarinense, registros também revelam a dimensão do problema

Mais de 4,4 milhões de mulheres com deficiência no Brasil já sofreram violência doméstica ou familiar praticada por homens. O número representa 38% das brasileiras com deficiência, percentual superior aos 25% registrados entre mulheres sem deficiência.

Os dados fazem parte do Mapa Nacional da Violência de Gênero e mostram que a violência pode começar ainda na juventude. Entre as mulheres com deficiência que já foram vítimas, 36% sofreram a primeira agressão antes dos 19 anos, enquanto 24% tinham entre 20 e 29 anos. Dessa forma, seis em cada dez tiveram o primeiro episódio de violência antes dos 30 anos.

Nos casos considerados mais graves, 65% dos agressores eram maridos ou companheiros. A violência psicológica aparece em 88% dos relatos, seguida pela violência moral, com 82%, e pela violência física, com 80%.

Norte de Santa Catarina

Os números do Observatório da Violência contra a Mulher também mostram a dimensão das ocorrências no Norte catarinense. No período de 1º de janeiro de 2025 a 31 de agosto de 2026, correspondente a 607 dias, o recorte selecionado para Jaraguá do Sul, dentro da abrangência do Norte Catarinense e da AMVALI, contabilizou 2.289 registros de violência contra a mulher no âmbito doméstico, considerando a Lei Maria da Penha.

O levantamento considera nove tipos de crime e aponta uma média de 3,8 registros por dia, ou aproximadamente 0,16 ocorrência por hora. A idade média das vítimas no recorte de Jaraguá do Sul é de 36,3 anos. Os registros ocorridos nos fins de semana representam 36,7% do total. O painel também aponta uma tendência de queda de 11,4% no período analisado.

Guaramirim

Em Guaramirim, também no recorte do Norte Catarinense, foram contabilizados 764 registros de violência contra a mulher entre 1º de janeiro de 2025 e 31 de agosto de 2026. O período corresponde igualmente a 607 dias, com oito tipos de crime considerados no levantamento.

A média registrada é de 1,3 ocorrência por dia, ou 0,05 por hora. A idade média das vítimas é de 34,6 anos, enquanto 37,2% dos registros ocorreram nos fins de semana. O painel aponta ainda uma tendência de queda de 15,7% no período analisado.

Cenário estadual

No panorama mais amplo apresentado pelo Observatório, Santa Catarina registrou 21.018 ocorrências de violência contra a mulher no âmbito doméstico no período analisado no painel estadual.

O levantamento aponta média de 34,6 registros por dia e 1,44 ocorrência por hora, com idade média das vítimas de 36,8 anos. Os fins de semana concentram 37,2% dos registros. Nos indicadores de violência letal, Santa Catarina contabilizou 52 feminicídios em 2025. Entre janeiro e agosto de 2026, foram registrados 38 feminicídios.

Os dados mostram que a violência contra a mulher permanece presente em diferentes faixas etárias e regiões e permitem observar o comportamento das ocorrências de forma mais detalhada por município, tipo de crime e período.

Por: Renato Santos

Imagem: reprodução

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