Candidatos poderão monitorar vídeos no YouTube que utilizem sua aparência e pedir remoção de conteúdos irregulares
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e o Google lançaram nesta quarta-feira (26), em Brasília, uma campanha para orientar candidatos e candidatas das eleições de 2026 sobre uma ferramenta do YouTube capaz de identificar conteúdos produzidos ou modificados por inteligência artificial (IA) que utilizem a aparência de uma pessoa.
A ferramenta Detecção por Semelhanças, também chamada de Likeness ID, permite que usuários cadastrados acompanhem a utilização de sua imagem em vídeos publicados na plataforma. A iniciativa busca ampliar a proteção contra conteúdos sintéticos, incluindo os chamados deepfakes, que possam utilizar indevidamente a imagem de candidatos durante o período eleitoral.
Segundo o TSE, a tecnologia permitirá que os próprios candidatos monitorem a reprodução de sua aparência no ambiente digital e adotem as medidas cabíveis quando identificarem possíveis irregularidades.
Como funciona
Para utilizar o recurso, é necessário ter uma conta no YouTube e acessar o YouTube Studio, na área destinada à detecção de conteúdo por semelhança. Também é possível criar uma conta específica para essa finalidade.
O usuário precisa aceitar os termos de uso e passar por uma verificação de identidade, que envolve o envio de um documento oficial e a realização de uma selfie em foto e vídeo.
A partir dessas informações, o sistema cria um registro da aparência da pessoa, que será utilizado para identificar possíveis vídeos publicados no YouTube que reproduzam sua imagem.
O cadastro pode levar até dois dias para ser processado. Depois da aprovação, a plataforma realiza buscas nos conteúdos publicados e envia notificações quando identifica possíveis correspondências.
O candidato poderá analisar o material apontado pela ferramenta e, caso considere que sua imagem foi utilizada de forma indevida, solicitar a remoção. O pedido será avaliado de acordo com as políticas de privacidade do YouTube e, quando houver violação das regras, o conteúdo poderá ser retirado da plataforma.
Atenção aos deepfakes
A preocupação com o uso de inteligência artificial nas eleições está relacionada principalmente à possibilidade de criação de vídeos e áudios falsos com aparência realista, capazes de atribuir a candidatos declarações ou comportamentos que nunca ocorreram.
Para o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, a cooperação com empresas de tecnologia é importante para preservar direitos fundamentais e fortalecer a confiança no processo eleitoral.
A ferramenta, no entanto, não substitui a análise humana nem os mecanismos oficiais de fiscalização eleitoral. A proposta é ampliar a capacidade de identificar conteúdos potencialmente prejudiciais à imagem e à honra dos candidatos.
Parceria entre TSE e Google
O presidente do Google Brasil e vice-presidente da Google Inc., Fábio Coelho, destacou que a empresa mantém parceria com a Justiça Eleitoral desde 2014.
Segundo ele, ferramentas de proteção contra o uso indevido de tecnologia podem contribuir para um ambiente digital mais seguro durante as eleições, especialmente diante do crescimento de conteúdos manipulados por inteligência artificial.
O executivo também ressaltou a importância da proteção da imagem das mulheres, apontadas como um dos grupos mais expostos a ataques relacionados à aparência e à identidade no ambiente digital.
Para o TSE, o monitoramento de conteúdos gerados por IA representa mais uma frente de preparação para as eleições de 2026. A Corte afirma que continuará acompanhando a evolução das tecnologias e trabalhando com plataformas digitais para reduzir riscos à integridade do debate eleitoral.
