O Governo Federal apresentou a proposta de uma nova modelagem para a concessão da Malha Sul ferroviária, prevendo a criação de três grandes corredores ferroviários. A iniciativa faz parte do processo de renovação das concessões da malha operada atualmente pela Rumo e tem como objetivo modernizar o transporte de cargas, ampliar investimentos e fortalecer a logística da região Sul do país.
Entre os trechos contemplados está o Corredor Paraná–Santa Catarina, que inclui a ferrovia entre Mafra e o Porto de São Francisco do Sul, considerada uma das mais estratégicas do Estado por atender importantes polos industriais e de exportação. O corredor ferroviário atravessa municípios como Mafra, Rio Negrinho, São Bento do Sul, Campo Alegre, Corupá, Jaraguá do Sul, Guaramirim, Joinville, Araquari e São Francisco do Sul, mantendo a ligação com o Paraná.
Na prática, isso significa que Jaraguá do Sul e as principais cidades do Planalto Norte catarinense fazem parte da área abrangida pelo projeto ferroviário, embora a proposta em discussão trate da nova concessão da malha existente e de sua modernização, e não da construção de uma ferrovia inédita.
A inclusão desses municípios é considerada estratégica para a economia catarinense. Jaraguá do Sul é um dos maiores polos industriais do Brasil, com destaque para os setores têxtil, metalmecânico, de motores elétricos, automação e tecnologia, além de abrigar a WEG, multinacional brasileira presente em dezenas de países e uma das maiores fabricantes mundiais de motores elétricos, equipamentos para geração de energia e soluções industriais. A cidade também concentra empresas de renome nacional nos segmentos de confecção, alimentos e máquinas industriais.
Já São Bento do Sul, Rio Negrinho, Campo Alegre e Mafra integram uma das regiões mais importantes do país na produção de móveis e produtos de madeira, formando um consolidado polo moveleiro e florestal. O setor abastece os mercados interno e externo, gerando milhares de empregos e movimentando uma cadeia produtiva que depende de infraestrutura eficiente para o transporte de cargas até os portos catarinenses.
Atualmente, a ferrovia é utilizada quase exclusivamente para o transporte de cargas, principalmente grãos destinados ao Porto de São Francisco do Sul. Entretanto, o novo processo de concessão também reacendeu o debate sobre a ampliação da infraestrutura e o aproveitamento da malha para novos investimentos logísticos e, futuramente, para o transporte de passageiros.
Paralelamente à discussão sobre a nova concessão, associações de municípios do Norte e do Planalto Norte de Santa Catarina defendem que o trecho entre Mafra e São Francisco do Sul seja incluído nos estudos federais de viabilidade para a implantação de um serviço regional de trem de passageiros. A proposta prevê o reaproveitamento da ferrovia existente, que transportou passageiros por mais de oito décadas até ser desativada em 1991. Caso avance, o serviço poderá beneficiar cerca de 1,6 milhão de habitantes distribuídos em 26 municípios, oferecendo uma alternativa.
A proposta do Governo Federal ainda será discutida antes da realização dos leilões da nova concessão. Governos estaduais e entidades empresariais defendem que a futura modelagem preserve a integração logística da Região Sul e amplie a competitividade dos principais corredores econômicos catarinenses.
Por: Renato Santos
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