O tratado prevê isenção tarifária para cerca de 97% das transações de bens entre o Brasil e os países da EFTA — Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein. Outros 1,2% terão redução gradual de tarifas, além de cotas específicas para produtos agrícolas, como carnes, milho, mel e óleos vegetais.
Em 2025, as exportações brasileiras para a EFTA somaram US$ 3,8 bilhões, enquanto as importações chegaram a US$ 4 bilhões. A corrente de comércio alcançou US$ 7,8 bilhões. O intercâmbio é predominantemente industrial: os bens intermediários representaram 68,5% das trocas bilaterais no período.
De acordo com Maria Teresa Bustamante, presidente do Conselho de Comércio Exterior da FIESC, Santa Catarina está entre os estados brasileiros com maior potencial para aproveitar a abertura do mercado europeu. Um mapeamento da indústria aponta 354 oportunidades de exportação para a EFTA no estado, número que coloca Santa Catarina entre as unidades da federação com maior quantidade de oportunidades identificadas.
Entre os setores com potencial estão a agroindústria e alimentos, metalmecânico, eletrônico, máquinas, químicos e plásticos.
Na agroindústria, são apontadas oportunidades para carnes de aves e suínos, além do café não torrado. Já nos setores metalmecânico e de máquinas, a redução ou eliminação de tarifas pode favorecer produtos como motores elétricos, geradores, compressores e artigos metálicos, com destaque para os polos industriais de Jaraguá do Sul e Joinville.
A indústria química e de plásticos também apresenta potencial de expansão, com oportunidades de abertura e consolidação de mercado.
No sentido inverso, o acordo pode facilitar o acesso da indústria catarinense a insumos, equipamentos e tecnologias provenientes dos países da EFTA. Entre os principais produtos importados atualmente estão medicamentos e produtos farmacêuticos, compostos químicos, fertilizantes e máquinas industriais de precisão.
Além da redução de tarifas, o acordo prevê mecanismos que podem diminuir custos e burocracias nas operações de comércio exterior. Entre os pontos estão a acumulação de origem estendida com a União Europeia, regras sanitárias mais ágeis para a agroindústria, desburocratização técnica e abertura do mercado de compras governamentais.
A implementação será bilateral e progressiva. O cronograma prevê a entrada em vigor com a Islândia em 1º de outubro de 2026, com a Noruega em 1º de novembro de 2026 e com a Suíça e Liechtenstein durante o primeiro semestre de 2027.
Para a indústria catarinense, a ampliação do acesso ao mercado da EFTA representa uma oportunidade de diversificação das exportações e de fortalecimento da presença de empresas do estado no mercado europeu.
