A produção da indústria de transformação de Santa Catarina encerrou o primeiro semestre de 2026 com retração de 1,7% em comparação ao mesmo período do ano passado. O desempenho ficou abaixo da média nacional, que registrou crescimento de 0,4%, segundo dados divulgados pela Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (FIESC).
O resultado foi influenciado pelo fraco desempenho dos três primeiros meses do ano. Embora a atividade industrial tenha apresentado recuperação no segundo trimestre, a reação não foi suficiente para compensar as perdas acumuladas no início de 2026.
Entre os segmentos que mais recuaram está a fabricação de móveis, com queda de 16,7%, seguida pela indústria de veículos automotores, reboques e carrocerias (-12,8%), produtos de metal (-9,8%), madeira (-6,5%), máquinas e equipamentos (-4,6%) e materiais elétricos (-3,9%).
De acordo com a FIESC, fatores como os juros elevados, a restrição ao crédito e as tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros contribuíram para o enfraquecimento de parte da atividade industrial catarinense, especialmente nos setores voltados à exportação e aos bens de consumo duráveis.
Apesar do cenário de retração, algumas atividades registraram crescimento. O setor de borracha e plástico liderou a expansão, com alta de 10,4%, seguido pela indústria de alimentos (3%), minerais não metálicos (2,2%), metalurgia (1,9%) e produtos químicos (1,3%).
Na comparação entre junho de 2026 e o mesmo mês do ano anterior, a produção industrial catarinense apresentou avanço de 1,9%. Os maiores crescimentos foram observados nos segmentos de borracha e plástico (15,4%) e alimentos (9,5%). Já as maiores quedas ficaram com produtos de metal (-10,1%) e móveis (-9,3%).
A entidade avalia que o desempenho do semestre foi impactado pelo cenário econômico, marcado por juros elevados, crédito mais restrito, além dos efeitos das tarifas comerciais dos Estados Unidos e da alta nos custos de matérias-primas e energia provocada pelas tensões no Oriente Médio.
