Escassez mundial do insumo, provocada por problemas na cadeia de suprimentos, pode interromper temporariamente a fluoretação da água, mas abastecimento continuará seguro para consumo.
O Serviço Autônomo Municipal de Água e Esgoto (Samae) de Jaraguá do Sul informou que a escassez de ácido fluossilícico, produto utilizado na fluoretação da água, poderá provocar a suspensão temporária da dosagem de flúor nas estações de tratamento do município a partir da segunda quinzena de agosto.
Segundo a autarquia, a falta do insumo é consequência da redução da oferta nos mercados nacional e internacional. Entre os fatores apontados estão os impactos da guerra no Oriente Médio sobre a cadeia global de suprimentos e limitações na produção nacional de matérias-primas, cenário que afeta diversos sistemas de abastecimento de água no país.
De acordo com o diretor-presidente do Samae, Onésimo Sell, a fluoretação segue sendo realizada normalmente nas duas Estações de Tratamento de Água (ETAs), porém os estoques disponíveis estão comprometidos para os próximos dias.
“Se o fornecimento não for normalizado até a segunda quinzena de agosto, será necessária a interrupção temporária da dosagem de flúor. Essa medida ocorrerá exclusivamente pela indisponibilidade do produto no mercado e não por problemas operacionais do Samae”, explicou.
Água continuará própria para consumo
O Samae reforça que uma eventual suspensão da fluoretação não compromete a qualidade nem a potabilidade da água distribuída à população.
Todas as demais etapas do tratamento continuarão sendo realizadas normalmente, seguindo os padrões exigidos pela legislação sanitária. Assim, a água permanecerá adequada para beber, cozinhar, tomar banho e realizar todas as atividades domésticas.
O diretor técnico da autarquia, Tuhã Schmitt do Evangelho, esclarece que o flúor não tem função de desinfetar a água.
“O flúor é utilizado como medida preventiva contra a cárie dentária. Ele não elimina microrganismos nem interfere na potabilidade da água. Portanto, sua ausência temporária reduz apenas esse benefício relacionado à saúde bucal”, destacou.
Não há necessidade de mudar hábitos
O Samae orienta que a população não precisa ferver a água, comprar água mineral ou alterar seus hábitos de consumo caso a fluoretação seja suspensa temporariamente.
A recomendação é manter os cuidados habituais com a saúde bucal, como a escovação dos dentes com creme dental fluoretado e o acompanhamento periódico com o dentista.
Samae busca alternativas
A autarquia informou que está buscando alternativas para minimizar os impactos da escassez, incluindo consultas a novos fornecedores e o acompanhamento permanente da situação do mercado.
O caso já foi comunicado à Agência Reguladora Intermunicipal de Saneamento (ARIS), à Vigilância Sanitária e aos demais órgãos competentes.
O Samae afirma que continuará monitorando a situação e manterá a população informada sobre qualquer alteração no processo de tratamento da água.
