As obras de implantação das duas primeiras áreas de escape da Serra Dona Francisca (SC-418), consideradas uma das principais intervenções de segurança viária em rodovias estaduais catarinenses, tiveram o cronograma ampliado e só serão concluídas após o mês de setembro, prolongando os impactos no trânsito entre o Norte do Estado e o Planalto Norte.
A construção das estruturas representa um investimento de aproximadamente R$ 43,6 milhões, além de um aditivo de R$ 10,8 milhões destinado à atualização e aprimoramento do projeto executivo das áreas de escape localizadas nos quilômetros 15,3 e 17,4 da rodovia.
As áreas de escape estão sendo implantadas em um dos trechos mais críticos da Serra Dona Francisca, conhecido pelo histórico de acidentes envolvendo principalmente caminhões que apresentam falhas no sistema de freios durante a descida. Quando concluídos, os dispositivos funcionarão como pistas de desaceleração, permitindo que veículos fora de controle parem com segurança e reduzindo o risco de acidentes graves.
Reflexos chegam à BR-280 e afetam economia regional
Enquanto as intervenções seguem na SC-418, os reflexos são sentidos diretamente na BR-280, especialmente no trecho entre Jaraguá do Sul, Guaramirim e Corupá.
Com as restrições de tráfego na Serra Dona Francisca, muitos motoristas, principalmente caminhoneiros e transportadores, optam por utilizar a BR-280 como rota alternativa para evitar filas e interrupções na SC-418. O resultado é um aumento expressivo no fluxo de veículos, agravando congestionamentos em uma rodovia que já enfrenta limitações por conta das obras de duplicação e de diversos desvios temporários.
A situação preocupa moradores, transportadores e empresários, já que a BR-280 atende uma das regiões economicamente mais importantes de Santa Catarina. O corredor atravessa municípios que concentram forte produção de arroz, banana e uma das maiores bases industriais do Estado, com destaque para os setores têxtil, metalúrgico e de motores elétricos, responsáveis por grande parte das exportações catarinenses.
O aumento da circulação de veículos pesados e de longa distância acaba reduzindo a fluidez do trânsito, elevando o tempo de deslocamento para trabalhadores, produtores rurais e empresas que dependem diariamente da rodovia para o escoamento da produção.
Segurança permanece como prioridade
Apesar do atraso, o Governo do Estado mantém a avaliação de que a implantação das áreas de escape é uma obra estratégica para a segurança viária. As estruturas fazem parte do programa Estrada Boa e são as primeiras desse tipo em rodovias estaduais catarinenses.
Até a conclusão dos trabalhos, a orientação aos motoristas é redobrar a atenção ao trafegar pela Serra Dona Francisca e planejar os deslocamentos, especialmente nos horários de maior movimento, quando as intervenções podem provocar lentidão e filas.
Por: Renato Santos
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