Um surto de hantavírus registrado em um navio de cruzeiro internacional colocou autoridades de saúde em alerta e reacendeu o debate sobre os riscos da doença, considerada rara, mas extremamente grave. O caso chamou atenção após a confirmação de mortes entre passageiros durante a viagem marítima, levantando dúvidas sobre a possibilidade de transmissão entre humanos.
Segundo especialistas, o hantavírus é transmitido principalmente pelo contato com partículas contaminadas por urina, fezes e saliva de roedores silvestres. A infecção ocorre, na maioria dos casos, quando essas partículas secam e se espalham pelo ar, sendo inaladas por pessoas em ambientes fechados e pouco ventilados.
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A doença pode provocar uma síndrome cardiopulmonar grave, causando insuficiência respiratória rápida, falência cardíaca e até hemorragias. Os sintomas iniciais costumam se parecer com os de uma gripe forte: febre alta, dores musculares, náuseas, vômitos e mal-estar. Nos casos mais severos, o paciente evolui rapidamente para falta de ar intensa e comprometimento dos órgãos.
Cepa Andes preocupa médicos
Especialistas explicam que existem dezenas de variantes do hantavírus no mundo, mas apenas uma delas — conhecida como “cepa Andes” — possui capacidade comprovada de transmissão entre pessoas. Essa foi justamente a variante identificada no surto do cruzeiro internacional.
De acordo com os infectologistas, a transmissão entre humanos exige contato próximo e prolongado em ambientes fechados. Diferentemente da Covid-19, o hantavírus não possui alta capacidade de disseminação rápida. “O hantavírus não é uma doença de transmissão respiratória clássica”. A maior parte dos casos continua associada à exposição ambiental em locais contaminados por roedores.
Ambiente fechado favoreceu disseminação
As condições do navio de cruzeiro teriam criado um cenário ideal para a propagação da doença. Ambientes confinados, ventilação limitada, ar-condicionado constante e o frio intenso fizeram com que os passageiros permanecessem durante vários dias em áreas internas da embarcação.
A suspeita é de que uma pessoa tenha embarcado já infectada, ainda no período de incubação, facilitando o surgimento de novos casos durante a viagem.
Há risco de pandemia?
Apesar da preocupação mundial, médicos afirmam que o risco de uma nova pandemia é considerado baixo. Isso porque o hantavírus possui transmissão muito mais difícil do que vírus respiratórios como influenza e coronavírus.
Especialistas destacam, no entanto, que o monitoramento precisa continuar, principalmente por causa da capacidade de mutação dos vírus e da circulação da cepa Andes em alguns países da América do Sul.
Como prevenir o hantavírus
As principais recomendações para evitar a doença incluem:
- evitar contato com fezes e urina de ratos;
- manter ambientes limpos e ventilados;
- vedar frestas e controlar a presença de roedores;
- usar máscaras e luvas durante limpeza de locais fechados ou abandonados;
- evitar levantar poeira em depósitos, galpões, porões e casas fechadas.
Atualmente, não existe antiviral específico contra o hantavírus. O tratamento é feito com suporte intensivo em UTI, incluindo ventilação mecânica e acompanhamento cardíaco.
