Sugestões, explicações, justificativas, explanações e desabafos. E esses desabafos em forma de depoimento foram os momentos mais marcantes na audiência pública que debateu a rede de atendimento a mulheres vítimas de violência na cidade. A voluntária do Instituto Borboletas, Ana Maria, lembrou de uma tentativa de homicídio, do comportamento suicida e do desânimo total até ser ajudada por voluntárias do Instituto.
Já a professora Gislaine Randon fez um alerta para o preconceito da sociedade em relação ao grupo familiar. Lembrou que foi muito cobrada e questionada sobre o fato de criar as duas filhas sem o pai, e apelou para que a sociedade pare de cobrar a presença paterna no seio familiar para mulheres traumatizadas pela violência doméstica.
A AUDIÊNCIA
A audiência pública reuniu cerca de 200 pessoas, nas dependências do Centro de Convivência do Idoso, além de autoridades, representantes de diversas entidades, membros do Poder Público e vereadores. O encontro foi proposta pela vereadora e procuradora da mulher, Professora Natália Lúcia Petry (MDB), que iniciou os trabalhos. A parlamentar destacou a gravidade do cenário local, ressaltando os números alarmantes de crimes contra a mulher: entre janeiro e maio deste ano, foram registradas 295 ocorrências e 237 medidas protetivas de urgência.
“Esses números, somados à possível subnotificação de casos, reforçam a gravidade do cenário e a necessidade de uma resposta integrada do poder público, das forças de segurança, da justiça, da saúde e da assistência social”, declarou a vereadora.
Durante o debate, diversas perguntas foram feitas às autoridades presentes, que puderam detalhar o estado atual da estrutura de acolhimento às mulheres vítimas de violência no município.
Ao final do evento, foram definidos os seguintes encaminhamentos:
Abertura de uma delegacia especializada de atendimento à mulher para garantir um acolhimento mais humanizado e eficaz;
- Credenciamento de uma entidade para oferecer acolhimento a mulheres em situação de violência;
- Criação do Plano Municipal de combate à violência contra a mulher, com a elaboração de uma lei municipal e um fluxograma;
- Lançamento do programa “Procuradoria da Mulher em Ação”, uma iniciativa institucional para fortalecer o trabalho da Procuradoria da Mulher;
- Início dos atendimentos da Defensoria Pública na Câmara Municipal a partir da próxima semana;
- Criação de uma comissão temporária na Câmara Municipal para acompanhar a implementação de todas as propostas apresentadas na audiência.
A audiência foi realizada pela Procuradoria da Mulher de Jaraguá do Sul, um órgão da Câmara Municipal, para discutir a “Rede de atendimento a mulheres vítimas de violência em Jaraguá do Sul”.


Gislane e Ana Maria fizeram alertas importantes no encontro