A violência contra a mulher continua sendo um problema de grandes proporções em Santa Catarina. Dados atualizados mostram que o Estado já contabiliza 7.900 casos de violações de direitos humanos contra mulheres em 2026. O levantamento é baseado em informações do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania.
Os números ganham ainda mais relevância durante o Agosto Lilás, período dedicado à conscientização e ao enfrentamento da violência contra a mulher.
Em Jaraguá do Sul, os registros também revelam uma realidade que preocupa as autoridades. Durante uma prestação de contas realizada no município, o delegado Augusto Brandão, responsável pela Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM), chamou atenção para um fator que dificulta o enfrentamento do problema: muitos episódios de violência praticados dentro das residências não chegam ao conhecimento da Polícia.
Esse fenômeno, conhecido como “cifra negra”, faz com que os registros oficiais não representem necessariamente toda a dimensão da violência existente no município.
NÚMEROS DE JARAGUÁ DO SUL
Os dados apresentados no município mostram que as ameaças continuam entre as ocorrências mais frequentes.
Em 2024, Jaraguá do Sul registrou 678 casos de ameaças. Em 2025, foram 639 registros.
Apesar da redução nas ameaças, outro indicador apresentou crescimento.
Os casos de lesão corporal passaram de 306, em 2024, para 337, em 2025, um aumento de aproximadamente 10%, de acordo com a delegacia de proteção a mulher.
A diferença mostra que a violência física continua representando uma parcela importante das ocorrências registradas no município.
OUTROS CRIMES REGISTRADOS EM 2025
Dados mostram que Jaraguá do Sul também reúne outros tipos de violência relacionados ao ambiente doméstico e familiar.
SEQUESTRO E CÁRCERE PRIVADO: 65 CASOS
VIOLÊNCIA PSICOLÓGICA: 65 REGISTROS
INJÚRIA: 65 REGISTROS
PERSEGUIÇÃO: 25 CASOS
DESCUMPRIMENTO DE MEDIDA PROTETIVA: 21 CASOS
LESÃO CORPORAL GRAVE: 2 CASOS
Os números mostram que a violência contra a mulher não se resume à agressão física. Ameaças, perseguição, violência psicológica, injúria e restrição da liberdade também aparecem entre os registros.
Os dados de Jaraguá do Sul também apontam ocorrências de crimes sexuais registrados em 2025.
Foram 4 casos de abuso sexual e 9 casos de estupro de vulnerável.
São situações que exigem investigação especializada e atendimento adequado às vítimas, especialmente nos casos envolvendo pessoas em situação de vulnerabilidade.
CENÁRIO ESTADUAL
Em Santa Catarina, o levantamento mais recente aponta 7.900 registros de violações de direitos humanos contra mulheres desde o início de 2026. O dado coloca em evidência a dimensão estadual do problema e reforça a necessidade de prevenção e de mecanismos que facilitem o acesso das vítimas à rede de proteção.
Além dos registros de 2026, um levantamento da Defensoria Pública de Santa Catarina mostra que as ocorrências policiais de violência doméstica e familiar contra mulheres passaram de 64.014 casos em 2020 para 75.330 em 2025, crescimento de 17,7% no período.
Entre os crimes mais registrados nesse intervalo estão ameaça, lesão corporal e injúria, que aparecem entre as principais formas de violência doméstica identificadas no Estado.
VIOLÊNCIA MUITAS VEZES ACONTECE DENTRO DE CASA
Um dos aspectos mais preocupantes é justamente o fato de que parte dos casos permanece escondida. Em muitos episódios, a vítima convive diariamente com o agressor e pode enfrentar medo, ameaças, dependência financeira ou emocional e pressão familiar para não denunciar.
Por isso, o número registrado pelas autoridades pode ser apenas uma parte da realidade. Em Jaraguá do Sul, o alerta feito pelo delegado Augusto Brandão reforça a importância de romper o silêncio e buscar ajuda diante dos primeiros sinais de violência.
A denúncia pode ser fundamental para interromper o ciclo de agressões antes que a situação evolua para crimes ainda mais graves.
REDE DE PROTEÇÃO É AMPLIADA EM JARAGUÁ DO SUL
O município também passou a contar recentemente com uma nova estrutura de acolhimento para mulheres vítimas de violência. A Casa Izabel, da Associação Beneficente Novo Amanhã, foi credenciada para oferecer acolhimento provisório a mulheres em situação de vulnerabilidade. O serviço funciona de forma ininterrupta, com segurança, sigilo e acompanhamento de profissionais de assistência social, psicologia e orientação jurídica.
A unidade representa mais uma alternativa para mulheres que precisam deixar temporariamente o ambiente onde estão sofrendo violência e necessitam de proteção.
UM PROBLEMA QUE VAI ALÉM DOS NÚMEROS
Os dados mostram uma realidade que não pode ser medida apenas pela quantidade de boletins registrados.
São 7.900 registros em Santa Catarina em 2026, 75.330 ocorrências de violência doméstica e familiar no estado em 2025.
Por trás de cada número existe uma vítima e, em muitos casos, uma situação de violência que permanece escondida. O desafio das autoridades é ampliar a capacidade de prevenção, investigação e acolhimento, enquanto a sociedade precisa estar atenta aos sinais e ajudar a romper o silêncio que ainda impede muitas mulheres de pedir ajuda.
Por: Renato Santos
Imagem: Inteligência Artificial / RBN
