Vereadores debatem segurança no trajeto escolar e questionam zoneamento em Jaraguá do Sul

Por: Alison Correa

A segurança de crianças e adolescentes no caminho entre casa e escola entrou no centro do debate na Câmara de Vereadores de Jaraguá do Sul durante a sessão desta terça-feira (10). O tema foi levado à tribuna pelo vereador Cani (PL), após receber relatos de moradores do bairro João Pessoa e de pais de alunos da EMEB Frei Aurélio Stulzer, inaugurada em maio de 2025.

Segundo o parlamentar, as reclamações envolvem principalmente as condições das vias utilizadas pelos estudantes, com trechos sem calçadas pavimentadas, presença de mato alto e acostamentos precários. Durante a palavra livre, Cani apresentou imagens que, segundo ele, evidenciam o risco diário enfrentado pelas crianças no deslocamento até a unidade escolar.

O vereador defendeu que o município adote medidas imediatas, como a notificação de proprietários para a construção de calçadas ou, enquanto isso não ocorre, a disponibilização de transporte escolar. Para ele, deixar que crianças caminhem à margem de vias movimentadas expõe os alunos a perigos desnecessários.

Ao longo da discussão, surgiu a proposta de realização de uma audiência pública para aprofundar o tema. A sugestão foi feita pelo vereador Professor Fernando Alflen (PL), que alertou para possíveis impactos do atual sistema de zoneamento no acesso à educação. Conforme relatou, há casos de alunos com matrícula suspensa na rede municipal em razão das regras de territorialidade.

Alflen afirmou que o modelo atual pode acabar dificultando a permanência dos estudantes na escola e defendeu a convocação da secretária municipal de Educação, Iraci Müller, para prestar esclarecimentos em um eventual encontro público.

Entre as alternativas apresentadas por Cani está a reabertura de vagas na EMEB Machado de Assis, onde parte dos alunos da Frei Aurélio Stulzer estudava antes da inauguração da nova escola. Com isso, o deslocamento seria menor e o transporte escolar poderia ser mantido. O vereador destacou que, anteriormente, os pais se sentiam mais seguros com o uso do ônibus escolar, realidade que mudou após a reorganização das matrículas.

A vereadora Sirley Schappo (Novo) também se manifestou, destacando que a Secretaria de Educação tem sustentado que não pode conceder exceções ao transporte escolar quando a distância entre a residência e a escola é inferior a três quilômetros. Ela ponderou, no entanto, que o critério de distância não considera, necessariamente, o nível de risco do trajeto.

Sirley afirmou ainda que o problema não se restringe ao bairro João Pessoa e citou situações semelhantes em outras regiões da cidade. Para a parlamentar, exigir que crianças pequenas caminhem longos trechos, mesmo dentro do limite legal, desconsidera fatores como segurança viária e vulnerabilidade.

Retomando a palavra, Cani alertou que comparações com trajetos feitos por gerações passadas não refletem a realidade atual do trânsito urbano. Segundo ele, o aumento do fluxo e da velocidade dos veículos torna o deslocamento muito mais perigoso hoje.

Outros vereadores reforçaram a necessidade de revisão do sistema. Jonathan Reinke (União) destacou que a conservação das vias é uma responsabilidade compartilhada entre poder público e moradores, mas que a falta de manutenção acaba penalizando diretamente as famílias. Ele citou problemas semelhantes nos bairros Garibaldi e Rio da Luz.

Cani voltou a defender uma revisão ampla do zoneamento escolar, argumentando que há casos em que alunos são obrigados a frequentar escolas mais distantes mesmo residindo próximos de outras unidades. Para ele, a logística precisa ser debatida com profundidade pela Câmara, envolvendo também o Ministério Público, a Secretaria de Educação e o Conselho Tutelar.

O vereador Osmair Gadotti (MDB) trouxe à discussão episódios anteriores que reforçam a preocupação com a segurança no trajeto escolar. Ele relembrou um caso ocorrido no bairro Jaraguá 99, em que uma estudante foi atacada durante o caminho para a escola, sendo socorrida por um morador da região. Gadotti destacou que situações como essa evidenciam a necessidade de atenção especial ao transporte e à proteção dos alunos.

A possibilidade de uma audiência pública deve ser avaliada nos próximos dias, com o objetivo de reunir autoridades, pais e comunidade para discutir soluções que garantam o acesso seguro à educação em Jaraguá do Sul.

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