Tarifaço dos EUA coincide com piora de indicadores do comércio em Santa Catarina

Um levantamento do Núcleo de Inteligência Estratégica da Fecomércio SC aponta que, após a entrada em vigor do tarifaço imposto pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, em agosto de 2025, Santa Catarina registrou piora em diversos indicadores ligados ao comércio, ao consumo e ao mercado de trabalho.

De acordo com o estudo, a confiança dos empresários do comércio caiu 9,5% no período analisado, enquanto a percepção sobre as condições atuais da economia apresentou a maior retração do levantamento, com queda de 20,1%. A intenção de consumo das famílias também diminuiu 6,9%.

Outro dado que chama atenção é o aumento da inadimplência. O percentual de famílias catarinenses com contas em atraso passou de 23% para 29,7% após a adoção das tarifas, indicando maior dificuldade financeira entre os consumidores.

No mercado de trabalho, o impacto foi ainda mais significativo. O saldo médio de vagas formais no comércio caiu 66,3%, passando de uma média de 1.576 empregos gerados por mês para apenas 532. Em maio de 2026, o setor voltou a registrar fechamento de postos de trabalho. Já no segmento de serviços, praticamente não houve alteração na geração de empregos, sugerindo que a desaceleração atingiu de forma mais intensa o comércio.

Apesar da queda na confiança e do enfraquecimento do emprego, o volume de vendas do varejo catarinense ainda se manteve estável, com crescimento acumulado próximo de 5% em 12 meses, segundo a Pesquisa Mensal de Comércio do IBGE.

O estudo ressalta que Santa Catarina está entre os estados mais expostos às medidas tarifárias americanas. Cerca de 54,5% das exportações catarinenses para os Estados Unidos foram atingidas pelas novas tarifas, principalmente nos setores de madeira, móveis e máquinas.

Os pesquisadores destacam, no entanto, que os dados mostram uma coincidência temporal entre o tarifaço e a piora dos indicadores econômicos, mas alertam que outros fatores, como juros, câmbio e o cenário econômico nacional, também podem ter influenciado os resultados. Ainda segundo a Fecomércio SC, os efeitos do segundo aumento de tarifas, anunciado em julho de 2026, ainda não aparecem nas estatísticas e deverão ser acompanhados nos próximos meses.

Por: Renato santos

Imagem: reprodução

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