SC busca identificar órfãos vítimas indiretas do feminicídio

A falta de informações consolidadas sobre crianças e adolescentes que perderam as mães em casos de feminicídio levou o Ministério Público de Santa Catarina a iniciar um trabalho para identificar esses órfãos e garantir que eles tenham acesso à rede de proteção e assistência social.

A iniciativa reúne o Ministério Público e a Polícia Científica em um esforço conjunto para mapear quantas crianças e adolescentes ficaram sem suas mães em decorrência da violência contra a mulher. Atualmente, o estado não possui um levantamento oficial desse público, o que dificulta a criação de políticas públicas específicas e o acompanhamento adequado dessas vítimas indiretas.

Dados preliminares apontam que 45,9% das mulheres vítimas de feminicídio em Santa Catarina tinham filhos com o agressor. No entanto, ainda não há informações detalhadas sobre quantas crianças foram afetadas nem sobre suas condições de vida após os crimes.

O objetivo do levantamento é permitir que órgãos de assistência social, saúde e proteção à infância possam identificar cada situação e oferecer suporte adequado. Entre as medidas previstas estão o encaminhamento para acompanhamento psicológico, acesso a benefícios sociais e inclusão em programas de proteção.

Também existe preocupação com crianças e adolescentes que não possuem familiares capazes de assumir seus cuidados e que podem estar em instituições de acolhimento. A intenção é compreender a dimensão do problema e fortalecer a atuação da rede de proteção.

Segundo o Ministério Público, conhecer a realidade desses órfãos é um passo fundamental para garantir direitos, assistência e apoio a quem também sofre as consequências da violência, mesmo sem estar diretamente envolvido nos crimes.

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