Por: Alison Correa – Jaraguá do Sul, SC
Com a chegada do verão, o aumento das temperaturas e da umidade cria condições favoráveis para a maior atividade de animais peçonhentos, elevando o risco de acidentes tanto em áreas de mata quanto em ambientes urbanos. Diante desse cenário, a Vigilância Epidemiológica de Jaraguá do Sul reforça o alerta à população sobre a importância da prevenção e da adoção de cuidados simples no dia a dia.

Levantamento realizado no município, considerando o período de 2021 a 2025, aponta que a maioria dos atendimentos relacionados a acidentes com animais peçonhentos envolveu aranhas. Ao todo, foram registrados 153 casos, o que representa mais de 50% das ocorrências notificadas. Na sequência aparecem os acidentes com serpentes, com 76 registros, correspondendo a 26% do total. Também foram contabilizados 27 casos envolvendo lagartas, o equivalente a 9%, o mesmo número de ocorrências relacionadas a abelhas. Já os acidentes com escorpiões somaram sete registros, cerca de 2% do total. Durante esse período de cinco anos, não houve registro de óbitos no município em decorrência desse tipo de agravo.
Segundo o Ministério da Saúde e a Diretoria de Vigilância Epidemiológica de Santa Catarina (Dive/SC), grande parte desses acidentes pode ser evitada com atenção aos ambientes frequentados e mudanças simples de comportamento. O clima quente e úmido torna esses animais mais ativos e, aliado ao aumento das atividades ao ar livre durante o verão, amplia as chances de contato com seres humanos, especialmente em trilhas, áreas rurais, jardins, terrenos baldios e regiões próximas à mata.
Recentemente, um caso registrado em Jaraguá do Sul chamou a atenção para a presença desses animais também em áreas urbanas. O biólogo Gilberto Duwe, da Fundação Jaraguaense de Meio Ambiente (Fujama), encontrou uma aranha armadeira em sua residência. Considerada uma das espécies mais venenosas do mundo, a aranha foi registrada em imagens feitas pelo próprio biólogo, que compartilhou o episódio nas redes sociais, descrevendo as características do animal e alertando para os riscos. As fotos utilizadas para ilustrar a ocorrência foram feitas pelo próprio profissional.
Orientações de prevenção
Durante atividades em áreas de mata, trilhas, jardins, terrenos baldios ou regiões rurais, a Vigilância Epidemiológica recomenda a adoção de medidas preventivas, como o uso de calçados fechados, botas e, quando possível, luvas, especialmente ao caminhar em trilhas ou manusear folhas, galhos, lenha e entulhos.
Também é importante evitar sentar-se diretamente no chão, troncos ou pedras sem observar o local previamente, além de não colocar as mãos em buracos, ocos de árvores, sob pedras ou em meio à vegetação densa. Outra orientação é sacudir roupas, calçados, toalhas e cobertores antes de usá-los, principalmente quando estiverem guardados por longos períodos.
A manutenção de quintais, jardins e terrenos limpos, sem acúmulo de lixo, entulho ou materiais que possam servir de abrigo para animais peçonhentos, também é considerada uma medida essencial. Em relação às lagartas, o contato direto deve ser evitado, pois os pelos podem provocar reações graves. No caso das abelhas, a recomendação é não provocar colmeias e manter distância, especialmente pessoas com histórico de alergia.
O que fazer em caso de acidente
Em caso de picada ou contato com animal peçonhento, a orientação é procurar atendimento de saúde imediatamente, preferencialmente em um serviço de urgência. Não se deve fazer torniquete, cortar o local da picada, sugar o veneno ou aplicar substâncias caseiras.
Sempre que possível, é recomendado tentar identificar o animal envolvido, sem colocar-se em risco ou tentar capturá-lo. A vítima deve permanecer calma e em repouso até receber atendimento médico.
A Vigilância Epidemiológica reforça que a procura rápida por atendimento é fundamental para a correta avaliação do caso e, quando indicado, para a administração do soro específico, reduzindo o risco de complicações e agravamento do quadro clínico.