Por: Alison Correa
Santa Catarina anunciou a criação de uma delegacia remota com funcionamento ininterrupto voltada ao atendimento de mulheres vítimas de violência doméstica. A iniciativa foi apresentada pela Polícia Civil após a divulgação de dados que apontam que uma mulher é agredida a cada sete minutos no estado. As informações foram divulgadas durante uma coletiva realizada na terça-feira (13).

De acordo com a Secretaria de Estado da Segurança Pública, aproximadamente 74 mil mulheres sofreram algum tipo de violência doméstica em 2025. O número representa uma redução de cerca de 2% em comparação com o ano anterior. Apesar disso, os registros de feminicídio permaneceram praticamente estáveis: 51 mulheres foram assassinadas, o que equivale a uma média de uma morte por semana, uma a mais do que em 2024.
O secretário de Segurança Pública, coronel Flávio Rogério Graff, informou que todos os casos de feminicídio registrados no último ano tiveram resolução. Segundo ele, 98% das ocorrências foram esclarecidas pelas forças de segurança e os demais casos solucionados após a apresentação dos autores. Mesmo com o índice elevado de elucidação, o secretário reconheceu a gravidade do cenário e destacou a necessidade de ações contínuas de enfrentamento à violência de gênero.
A nova delegacia remota funcionará em regime de plantão permanente e contará com equipes formadas por delegadas e psicólogas. O atendimento será realizado de forma online, por meio de chamadas de vídeo, em salas virtuais destinadas ao acolhimento imediato das vítimas, independentemente da região onde estejam.
Além da delegacia remota, o governo do estado prevê a criação de 26 novas delegacias especializadas no atendimento a pessoas em situação de vulnerabilidade ao longo de 2026. A reorganização da estrutura levará em conta o porte dos municípios.
Cidades com mais de 300 mil habitantes passarão a contar com três unidades distintas: Delegacia da Mulher, Delegacia da Criança e do Adolescente e Delegacia do Adolescente Infrator. Esse modelo já é adotado em Florianópolis, Blumenau e Joinville. Municípios com mais de 150 mil habitantes terão duas delegacias especializadas, enquanto cidades com população superior a 50 mil habitantes receberão novas DPCAMIs.
Segundo o delegado-geral da Polícia Civil, Ulisses Gabriel, a separação das unidades é fundamental para garantir um atendimento mais humanizado. Ele ressalta que vítimas não devem compartilhar o mesmo ambiente com autores ou suspeitos de crimes.
As autoridades também reforçam que a maioria dos feminicídios ocorre após um histórico de violência de gênero, geralmente praticada por pessoas próximas às vítimas. Diante disso, a orientação é que qualquer situação de agressão seja denunciada o mais cedo possível, como forma de prevenir desfechos mais graves.