Os dados mais recentes sobre alfabetização em Santa Catarina apontam um desafio relevante para a educação pública. Mesmo sendo um estado com bons indicadores socioeconômicos, não atingiu a meta de crianças alfabetizadas na idade adequada.
Atualmente, 63% das crianças estão alfabetizadas até o fim do 2º ano do ensino fundamental, segundo o Inep. Esse número ficou abaixo da meta estadual de 67%, gerando preocupação entre gestores e órgãos de controle. O tema foi discutido em uma reunião realizada pelo Tribunal de Contas de Santa Catarina (TCE/SC) com participação de diversas autoridades da área educacional.
O encontro reuniu secretários, gestores municipais e estaduais, Ministério Público, Assembleia Legislativa e conselhos de educação, com o objetivo de analisar os dados, identificar falhas e propor melhorias nas políticas públicas e no monitoramento educacional.
Desigualdade regional e cenário nacional
A situação preocupa ainda mais porque, enquanto Santa Catarina ficou abaixo da meta, o Brasil apresentou avanço. Em 2025, o país alcançou 66% de crianças alfabetizadas, superando o objetivo nacional, enquanto o estado permaneceu abaixo do esperado.
Também há desigualdade dentro do próprio estado:
- Municípios pequenos apresentam melhores índices
- Cidades maiores registram desempenho mais baixo, próximo de 60%
Outro dado alarmante é o aumento de crianças fora da escola. Em 2024, cerca de 24,3 mil crianças de 4 a 6 anos não frequentavam o ensino, o que indica que o problema envolve não apenas aprendizagem, mas também acesso à educação.
Diante disso, foi destacada a necessidade de fortalecer a colaboração entre Estado e municípios. O TCE/SC pretende:
- Acompanhar mais de perto os resultados
- Dar maior peso aos dados de alfabetização
- Realizar auditorias e ações estruturadas
Também foi mencionado o Projeto de Lei 744/2025, que propõe a criação da Política de Alfabetização do Território Catarinense, ainda em tramitação.
Contraste nas prioridades do orçamento
O debate ganha força ao considerar a forma como os recursos públicos estão sendo distribuídos. Enquanto o ensino básico enfrenta dificuldades, o estado investe mais de R$ 1 bilhão no programa “Universidade Gratuita”, que subsidia mensalidades em instituições privadas e comunitárias.
Essa política tem sido criticada por entidades educacionais, que questionam a prioridade dada ao ensino superior privado em comparação com:
- Investimentos na rede pública estadual
- Fortalecimento da educação básica, onde os resultados são mais preocupantes
