Investigação da Polícia Federal já resultou em prisões, bloqueio de bilhões em bens e apurações sobre corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa
A Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal, completou seis meses consolidando-se como uma das maiores investigações financeiras já realizadas no país. Desde o início das apurações, as seis fases da operação revelaram um suposto esquema de fraudes bilionárias envolvendo instituições financeiras, lavagem de dinheiro, corrupção e relações entre empresários, agentes públicos e políticos.
Segundo as investigações, o principal alvo é o banqueiro Daniel Vorcaro, apontado como líder de um esquema que teria causado potencial prejuízo de dezenas de bilhões de dólares ao Sistema Financeiro Nacional.
As investigações começaram no início de 2024, após solicitação do Ministério Público Federal. Desde então, a Justiça autorizou dezenas de medidas cautelares, incluindo prisões temporárias e preventivas, buscas e apreensões, além do bloqueio de aproximadamente R$ 27,7 bilhões em bens e valores.
As ações ocorreram em diversos estados brasileiros, incluindo Bahia, Minas Gerais, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, São Paulo e Distrito Federal.
Entre os principais pontos investigados estão suspeitas de fabricação de carteiras de crédito sem lastro financeiro, lavagem de dinheiro, corrupção de agentes públicos, favorecimento político e uso de uma suposta milícia privada para intimidação de desafetos.
A operação também atingiu integrantes do sistema financeiro e autoridades ligadas ao setor bancário, incluindo ex-dirigentes do Banco de Brasília e servidores ligados ao Banco Central do Brasil.
Ao longo das seis fases, a operação teve desdobramentos envolvendo empresários, policiais federais, ex-servidores públicos e parlamentares investigados por suposto favorecimento político e financeiro.
Outro ponto de repercussão recente envolve áudios divulgados pelo portal The Intercept Brasil, nos quais o senador Flávio Bolsonaro conversa com Daniel Vorcaro sobre recursos destinados à produção do filme “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. O parlamentar confirmou a autenticidade das conversas, mas negou irregularidades.
Até o momento, a operação já resultou em dezenas de prisões, mais de cem mandados de busca e apreensão e bloqueios bilionários de bens ligados aos investigados.
