A Praia de Itapoá, no Litoral Norte de Santa Catarina, acaba de receber uma das maiores intervenções de recuperação costeira já realizadas no Brasil. A draga Galileo Galilei concluiu o trabalho de engordamento da faixa de areia, que ampliou e recuperou 8,8 quilômetros da orla do município.
A obra utilizou cerca de 7 milhões de metros cúbicos de sedimentos retirados durante a dragagem de aprofundamento do canal de acesso à Baía da Babitonga, projeto conduzido pelo Porto de São Francisco do Sul.
O procedimento marcou um avanço na engenharia costeira brasileira. Foi a primeira vez no país que materiais provenientes de uma dragagem portuária foram destinados ao alargamento de uma praia. No cenário mundial, a iniciativa é considerada a segunda experiência desse tipo.
Os trabalhos começaram em outubro de 2025, na região da Praia Pontal do Norte, avançaram pelas áreas da Praia Princesa do Mar e foram finalizados na Praia Figueira do Pontal.
Além da ampliação da faixa de areia, o projeto inclui ações voltadas à recuperação ambiental da região. Ao longo da orla, já foram plantadas 210 mil mudas de seis espécies nativas de restinga em 31 áreas diferentes. A previsão é chegar a 300 mil mudas ao final do programa.
Também está em implantação uma nova estrutura de proteção natural formada por dunas contínuas, com aproximadamente 26 metros de largura e altura entre 1 metro e 1,5 metro. O projeto inclui ainda cercamentos ecológicos, passarelas elevadas e sinalização ambiental para auxiliar na preservação da vegetação e na estabilidade da faixa de areia recuperada.
Para o presidente do Porto de São Francisco do Sul, Cleverton Vieira, a iniciativa representa a união entre desenvolvimento econômico e preservação ambiental.
Segundo ele, a recuperação da orla contribui para aumentar a proteção da costa, fortalecer o turismo e reduzir impactos relacionados à erosão e às mudanças climáticas.
A dragagem da Baía da Babitonga envolve um investimento de R$ 333 milhões e foi viabilizada por uma parceria entre os portos de São Francisco do Sul e Itapoá.
O acordo estabelece que o porto público participe com R$ 33 milhões, enquanto o terminal privado Itapoá financia R$ 300 milhões. O valor será devolvido gradualmente até 2037, conforme o aumento da movimentação de cargas e das receitas geradas pela ampliação da capacidade operacional.
Com o aprofundamento do canal de acesso, o projeto também deve reduzir custos para embarcações que utilizam o complexo portuário. A estimativa é de uma economia de aproximadamente R$ 20 milhões por ano com a eliminação da necessidade de fundeio intermediário dos navios.
