Nova tarifa dos EUA atinge US$ 12,4 bilhões em exportações brasileiras e amplia impacto sobre a indústria

A nova tarifa adicional de 12,5% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros amplia significativamente o impacto sobre a indústria nacional. Levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) aponta que a medida alcança US$ 12,4 bilhões em exportações brasileiras para o mercado norte-americano, o equivalente a 29,4% de tudo o que o Brasil vende aos Estados Unidos.

Ao todo, 4.060 produtos passam a ser afetados pela nova política tarifária. Segundo o estudo, a maior parte dessas mercadorias enfrentará um peso ainda maior: 80,7% das exportações atingidas, correspondentes a US$ 10,8 bilhões e 3.985 produtos, passarão a pagar uma tarifa adicional acumulada de 37,5%.

Já outros 13% das exportações, o equivalente a US$ 1,6 bilhão e 75 produtos, estarão sujeitos apenas à nova alíquota de 12,5%.

Para o presidente da CNI, Ricardo Alban, o momento exige intensificação das negociações entre Brasil e Estados Unidos e a adoção de medidas emergenciais para reduzir os prejuízos às empresas.

“É essencial que o diálogo entre Brasil e Estados Unidos seja mantido e aprofundado. Ao mesmo tempo, precisamos agir com rapidez para amenizar o impacto sobre as empresas prejudicadas”, afirmou.

Setores mais afetados

O levantamento mostra que alguns segmentos da indústria brasileira serão muito mais impactados pelas tarifas.

No setor de madeira, 83% das exportações ficarão sujeitas à tarifa adicional de 37,5%, enquanto apenas 2,3% permanecerão apenas com a alíquota de 12,5%.

Na área de celulose e papel, 76% das vendas aos Estados Unidos também passarão a enfrentar a tarifa de 37,5%, restando apenas 24% dos produtos isentos de novas cobranças.

Entre os produtos químicos, 51,8% das exportações estarão sujeitas à tarifa de 37,5%, enquanto 22,3% enfrentarão uma tarifa de 12,5% e 25,7% permanecerão isentas.

O segmento de minerais não metálicos terá 56,3% das exportações atingidas pela tarifa de 37,5%, 38,1% pela alíquota de 12,5%, e apenas 5,5% ficarão livres das novas cobranças.

Já no setor de máquinas e equipamentos, 83,9% dos produtos estarão enquadrados na chamada Seção 232, voltada a setores considerados estratégicos pelos Estados Unidos, enquanto 12,5% sofrerão a tarifa de 37,5% e apenas 3,5% permanecerão isentos.

No segmento de alimentos, o cenário é mais diversificado. 58,8% das exportações seguem sem tarifas adicionais, mas 32,7% passarão a pagar 37,5%, 5,4% estarão sujeitos a uma tarifa de 25% e 3,1% serão tributados em 12,5%.

Brasil contesta justificativa dos Estados Unidos

A decisão do governo norte-americano foi baseada em investigações conduzidas no âmbito da Seção 301, que avalia práticas comerciais de parceiros dos Estados Unidos. O Brasil foi incluído entre os países que, na avaliação americana, não aplicariam de forma suficientemente eficaz medidas contra a importação de produtos ligados ao trabalho forçado.

A Confederação Nacional da Indústria rebate esse argumento e afirma que o país possui uma das legislações mais modernas para prevenir e combater o trabalho forçado ao longo das cadeias produtivas.

Quase metade das exportações brasileiras será afetada

Com a entrada em vigor das novas medidas, a CNI calcula que 48,7% de todas as exportações brasileiras destinadas aos Estados Unidos passarão a estar sujeitas a algum tipo de tarifa adicional, elevando a preocupação do setor produtivo com os impactos sobre a competitividade da indústria nacional e a manutenção de mercados estratégicos.

Por: Renato Santos

Imagem: Porto de São Francisco do Sul

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