Mais de 75 milhões de brasileiros estão inadimplentes, aponta levantamento da CNDL e SPC Brasil

Número de pessoas com contas em atraso representa 44,67% da população adulta; região Sul registrou o maior crescimento da inadimplência no país

O Brasil encerrou setembro de 2026 com 75,05 milhões de pessoas inadimplentes, segundo o Indicador de Inadimplência da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do SPC Brasil. O total representa 44,67% da população adulta e evidencia a dificuldade de milhões de brasileiros para manter as contas em dia.

Na comparação com setembro de 2025, o número de consumidores com restrições de crédito voltou a crescer. Em relação ao mês anterior, o aumento foi de 2,07%, enquanto o maior avanço ocorreu entre pessoas com dívidas acumuladas entre quatro e cinco anos.

De acordo com o presidente da CNDL, José César da Costa, o cenário é reflexo da combinação entre juros elevados, aumento do custo do crédito e orçamento comprometido.

“O consumidor enfrenta dificuldades não apenas para quitar dívidas antigas, mas também para evitar novos atrasos. Mesmo após negociações, muitas famílias continuam pressionadas pelas despesas do dia a dia, tornando a recuperação financeira um processo cada vez mais difícil”, afirmou.

A faixa etária com maior concentração de inadimplentes é a de 30 a 39 anos, que reúne 18,06 milhões de pessoas, o equivalente a 53,3% da população desse grupo. Entre os negativados, 51,38% são mulheres e 48,62% homens.

Regionalmente, a Região Sul apresentou o maior crescimento anual da inadimplência, com alta de 9,75%, seguida pelo Centro-Oeste (7,74%), Norte (7,25%), Sudeste (5,60%) e Nordeste (4,58%).

Dívida média supera R$ 5,2 mil

O levantamento aponta que cada consumidor inadimplente devia, em média, R$ 5.240,29 em setembro deste ano. Além disso, cada devedor possuía compromissos financeiros com 2,36 empresas credoras, em média.

Os dados também mostram que 28,69% dos consumidores negativados têm dívidas de até R$ 500, percentual que sobe para 40,75% quando considerados débitos de até R$ 1 mil.

Bancos concentram maior parte das dívidas

O número de dívidas em atraso cresceu 13,62% na comparação com setembro do ano passado e 3,07% em relação a agosto.

Entre os setores, o maior avanço ocorreu nas dívidas relacionadas ao segmento de Comunicação, com alta de 17,84%, seguido por Bancos (12,89%) e Água e Luz (12,08%). O comércio foi o único segmento que apresentou queda, de 1,77%.

Apesar disso, os bancos seguem concentrando a maior parte das dívidas registradas no país, respondendo por 65,95% do total. Na sequência aparecem os setores de Água e Luz (10,14%), Outros (9,82%) e Comércio (8,12%).

Para o presidente do SPC Brasil, Roque Pellizzaro Júnior, programas de renegociação ajudam, mas não são suficientes para resolver o problema do endividamento das famílias.

Segundo ele, muitos consumidores acumulam dívidas com diferentes credores e, mesmo após quitar uma pendência, continuam enfrentando dificuldades para equilibrar o orçamento e evitar novas restrições de crédito.

Músicas, notícias, promoções exclusivas, coberturas de shows e eventos e ações publicitárias no rádio e em vídeos para todas as plataformas digitais!

© RBN 94,3 FM. Todos os direitos reservados. Desenvolvido por GB Dev – Agência de Websites