Os dois homens acusados de cometerem abusos sexuais contra crianças e adolescentes surdos, foram condenados pela Justiça. Os dois viviam em relação homoafetiva. Um dos réus recebeu a pena de 29 anos e 8 meses de reclusão, enquanto o outro foi sentenciado a 24 anos e 10 meses. Embora a decisão judicial ainda admita recursos, ambos continuam detidos em regime fechado.
A investigação, conduzida pela Polícia Civil, revelou que os crimes se estenderam por cerca de nove anos. Um dos condenados também atuava como professor de Libras, e seu companheiro — ambos também deficientes auditivos — utilizavam dinheiro para atrair as vítimas e recorriam a intimidações para evitar denúncias. Um dos relatos colhidos aponta que os abusos contra uma das vítimas tiveram início quando ela tinha menos de 14 anos.
Ao todo, pelo menos cinco vítimas foram formalmente identificadas ao longo do processo. Presos preventivamente em abril, os dois homens tiveram a detenção mantida após a audiência de custódia e permaneceram encarcerados durante todo o decorrer da ação penal. Durante as oitivas policiais, um dos suspeitos admitiu a autoria dos abusos.
OFATO
Os então suspeitos, foram presos por envolvimento em uma série de abusos sexuais contra pessoas surdas em Jaraguá do Sul.
O delegado Augusto Brandão, responsável pela Delegacia de Proteção à Criança, Adolescente, Mulher e Idoso, informou que a investigação teve início após uma requisição do Ministério Público, motivada por denúncias envolvendo os suspeitos. Segundo ele, o trabalho policial avançou de forma cautelosa, principalmente devido ao receio das vítimas em relatar os crimes.
Até então, cinco vítimas haviam sido identificadas, sendo que quatro já prestaram depoimento formal. Conforme detalhado pelo delegado em vídeo divulgado pela Polícia Civil, os relatos apontam que os abusos teriam começado há cerca de nove anos e ocorreram em diferentes locais.
As investigações indicavamm que os suspeitos utilizavam ameaças, chantagens emocionais e até oferta de dinheiro como forma de silenciar as vítimas. Ainda segundo Brandão, parte delas apresentava maior vulnerabilidade, inclusive por dificuldades de comunicação, e frequentava a associação com o objetivo de aprender Língua Brasileira de Sinais (Libras).

