Um grupo de mulheres se reuniu para protestar com a ação policial que matou uma mulher de 45 anos na Ilha da Figueira. Em nota, divulgaram que “no dia 18 de fevereiro, uma mulher de 45 anos, em meio a um surto, foi morta por um policial em Jaraguá do Sul. Com apenas 1,50m e 50kg, ela precisava de acolhimento, não de tiros”. A nota segue ressaltando que a polícia estava despreparada para lidar com a situação, “agiu com força letal, tirando sua vida de forma cruel e desnecessária”, conclui a nota divulgada para a imprensa.
A coordenadora, Vera Lúcia Freitas, informou que o Coletivo de Mulheres Progressistas fez um ato simbólico no local, onde morava Claudete, e também em frente ao Batalhão da PM. “Exigimos preparo, respeito e segurança para todas nós”. Também realizamos uma vigília no local onde tudo aconteceu, em memória de Claudete e para que casos como esse nunca mais se repitam. Ouça no player abaixo, parte da entrevista:
O FATO SEGUNDO A PM
“Uma lástima, uma fatalidade, resultado infelizmente inevitável”. Foi assim que o Tenente Coronel João Kuze, comandante da Polícia Militar de Jaraguá do Sul, definiu a trágica ocorrência registrada no Bairro Ilha da Figueira, na madrugada de hoje. Em entrevista na RBN, o comandante lamentou a morte e destacou que os policiais agiram dentro dos procedimentos e protocolos determinados. Questionado sobre o uso de equipamentos não letais com balas de borracha, gás de pimenta, tonfas ou armas de choque, o militar informou que o gás de pimenta foi usado e que outras ferramentas não eram indicadas para o ambiente encontrado.
Segundo o relatório oficial da PM, tratou-se de uma ocorrência de Perturbação do sossego alheio, com ameaça, desacato e confronto contra agente público em serviço.
A Central de Operações da Polícia Militar recebeu solicitação informando que uma mulher, de 45 anos, estava perturbando e ameaçando outros moradores de um condomínio de quitinetes. A guarnição deslocou no local e conversou com a síndica do condomínio habitacional, que relatou que uma das moradoras estava transtornada e ameaçando os demais moradores com a utilização de uma faca.
Os policiais mantiveram contato com a mulher, mas ela se recusou a conversar, agindo de maneira agressiva e desrespeitosa. Na sequência, a mulher se descontrolou ainda mais e tentou agredir os policiais, que fizeram o uso de spray de pimenta, o que fez com que ela corresse para dentro do apartamento, onde de posse de duas facas retiradas de um armário, ameaçou atacar os policiais, que tentaram conter ela dentro do apartamento, fechando a porta. Ainda mais revoltada, ela desferiu vários golpes de faca pelo lado de dentro da porta, para tentar abrir. Sem sucesso, ela quebrou a vidraça de uma janela e tentou sair do apartamento, com as duas facas na mão. Os policiais novamente ordenaram para que ela largasse as facas, mas a mulher continuou a desobedecer às ordens e tentou arremessar uma das facas na direção do policial, que em resposta, “para repelir a ação”, efetuou um disparo de pistola que atravessou o braço e atingiu o tórax da mulher, que caiu imobilizada. Os policiais prestaram os primeiros socorros até a chegada dos bombeiros que fizeram o encaminhamento para o Hospital São José, onde morreu instantes depois.



