Indústria registra crescimento tímido no faturamento e sente efeitos dos juros altos, aponta CNI

A indústria de transformação brasileira apresentou crescimento de 0,5% no faturamento real em abril, na comparação com março, segundo os Indicadores Industriais divulgados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Apesar do resultado positivo, o avanço foi bem menor do que o registrado nos dois meses anteriores, quando o setor havia crescido 3,7% em fevereiro e 3,9% em março.

No acumulado dos quatro primeiros meses de 2026, o faturamento da indústria ainda apresenta retração de 2,5% em relação ao mesmo período do ano passado, evidenciando um cenário de desaceleração da atividade econômica.

Produção e utilização da capacidade recuam

Os dados da CNI também mostram queda no número de horas trabalhadas na produção industrial. Em abril, o indicador recuou 1,3% em comparação a março. No acumulado do ano, a redução chega a 1,5% frente ao mesmo período de 2025.

Outro sinal de enfraquecimento da atividade foi observado na Utilização da Capacidade Instalada (UCI), que caiu de 77,5% para 77,1% entre março e abril. Na média dos quatro primeiros meses do ano, o uso da capacidade produtiva da indústria ficou 1,5% abaixo do registrado no mesmo período do ano passado.

Segundo a CNI, o aumento da ociosidade reflete a redução da demanda por bens industriais.

Juros altos e importações afetam o setor

De acordo com a análise da entidade, a perda de dinamismo da indústria está ligada principalmente ao elevado patamar das taxas de juros, que encarece o crédito para consumidores e empresas.

Além disso, fatores como o aumento do endividamento das famílias, a demanda interna enfraquecida e a forte entrada de produtos importados têm reduzido o espaço para o crescimento da produção nacional.

A combinação desses fatores tem pressionado o setor industrial, que enfrenta dificuldades para recuperar o ritmo de crescimento observado em períodos anteriores.

Mercado de trabalho apresenta sinais mistos

Embora o emprego industrial tenha recuado 0,2% em abril e acumule queda de 1,5% nos quatro primeiros meses de 2026, outros indicadores do mercado de trabalho seguem em trajetória positiva.

O rendimento médio real dos trabalhadores da indústria cresceu 5,3% entre março e abril, revertendo três meses consecutivos de queda. No acumulado do ano, a alta é de 1,3% em comparação com o mesmo período de 2025.

A massa salarial também registrou avanço expressivo, com crescimento de 5% em abril. No acumulado dos quatro primeiros meses do ano, o indicador apresenta alta de 0,5%.

Desemprego baixo pressiona salários

Segundo a CNI, mesmo com a redução do número de vagas na indústria, o mercado de trabalho brasileiro continua aquecido e opera com taxas de desemprego próximas dos menores níveis históricos.

Esse cenário reduz a oferta de mão de obra disponível e contribui para a valorização dos salários, movimento observado nos indicadores de rendimento e massa salarial dos trabalhadores industriais.

Os dados revelam um momento de contrastes para a indústria brasileira: enquanto a atividade produtiva perde força diante dos juros elevados e da concorrência externa, os salários seguem em crescimento impulsionados pelo mercado de trabalho ainda aquecido.

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