Levantamento divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostra que o setor industrial segue preocupado com o cenário de juros elevados no Brasil. Mesmo com os cortes recentes na taxa Selic, empresários ainda esperam enfrentar maior dificuldade para acessar crédito e preveem aumento do endividamento nos próximos meses.
De acordo com a pesquisa, 39% das empresas acreditam que a dívida com bancos deve crescer nos próximos três meses. A expectativa está relacionada à necessidade de manter o capital de giro e custear despesas operacionais, como pagamento de salários, fornecedores, tributos e compra de matérias-primas.
O estudo revela que 53% dos empresários pretendem recorrer mais ao crédito para financiar as contas do dia a dia. Além disso, 38% acreditam que esse dinheiro será obtido com juros ainda mais elevados.
A preocupação também aparece no financiamento do fluxo de caixa. Cerca de 47% das empresas esperam ampliar a contratação de crédito para antecipar recursos de vendas realizadas a prazo, enquanto 42% projetam aumento dos custos dessas operações.
No caso dos estoques, 42% dos entrevistados afirmam que deverão buscar mais financiamento para manter a produção e garantir mercadorias armazenadas, e o mesmo percentual prevê juros maiores nesse tipo de crédito.
Rentabilidade preocupa empresários
A pesquisa também aponta um cenário de pressão sobre os resultados das empresas. 58% dos industriais acreditam que a margem líquida de lucro deve diminuir no curto prazo, refletindo o aumento dos custos financeiros e das despesas operacionais.
Como consequência, 37% das empresas estudam reajustar os preços de seus produtos nos próximos meses, enquanto 51% pretendem manter os valores atuais.
Segundo a CNI, embora a taxa básica de juros tenha registrado reduções ao longo de 2026, o custo do crédito para as empresas ainda permanece elevado, limitando o alívio financeiro esperado pelo setor produtivo.
Pesquisa
O levantamento foi realizado entre 13 e 24 de julho de 2026 com 191 empresas industriais, distribuídas em 30 segmentos da indústria e localizadas em 20 estados brasileiros.
