Santa Catarina entra na primavera sob influência de um El Niño classificado como de intensidade muito forte. A Defesa Civil de Santa Catarina e a Epagri/Ciram consolidaram a avaliação nesta terça-feira (29), durante o 246º Fórum Climático Catarinense, após as águas do Oceano Pacífico Equatorial registrarem uma anomalia de 2,2°C.
O valor supera o limite de 2°C utilizado para caracterizar um El Niño muito forte e aumenta a atenção dos órgãos meteorológicos para os próximos meses. Com a chegada da primavera, período em que os efeitos do fenômeno costumam ficar mais evidentes em Santa Catarina, a previsão aponta para maior frequência de sistemas de chuva e temporais.
A expectativa é de volumes de precipitação acima da média em diferentes regiões do Estado, principalmente em outubro e novembro. O cenário também favorece episódios de chuva intensa acompanhada de vendavais, raios e granizo.
De acordo com os técnicos, o comportamento observado no Pacífico está alinhado às projeções da NOAA, órgão norte-americano responsável pelo monitoramento climático. Na atualização divulgada em setembro, a instituição apontou que o El Niño segue em fortalecimento e indicou probabilidade superior a 90% de que o fenômeno alcance intensidade muito forte durante a primavera e o verão de 2026/2027 no Hemisfério Sul.
Para a meteorologista da Defesa Civil de Santa Catarina, Nicolle Reis, os dados atuais já sustentam a classificação adotada pelos órgãos catarinenses. A especialista explica que a categoria muito forte é associada a anomalias de temperatura da superfície do mar iguais ou superiores a 2°C, marca que chegou a 2,2°C na última semana.
A primavera começou em 22 de setembro e segue até 21 de dezembro. Além da influência do El Niño, a própria estação já apresenta características que favorecem a ocorrência de temporais em Santa Catarina. Com a combinação dos fatores, aumenta a possibilidade de eventos de chuva volumosa, vendavais e granizo.
O cenário também eleva a atenção para os impactos provocados pelo excesso de chuva, como alagamentos, enxurradas, inundações e deslizamentos. A população deve acompanhar os alertas emitidos pela Defesa Civil, principalmente durante períodos de mudança rápida nas condições do tempo.
Em dias de chuva intensa, a orientação é evitar áreas alagadas e não atravessar rios, córregos, pontes ou pontilhões que estejam cobertos pela água. Crianças devem permanecer afastadas de rios e ribeirões durante episódios de chuva forte.
Em áreas de encosta, sinais como rachaduras em paredes e muros, movimentação de terra, inclinação de árvores ou postes e aparecimento de rochas podem indicar risco de deslizamento. Nesses casos, a recomendação é deixar o local e procurar um ponto seguro.
Durante temporais com raios, vento forte ou granizo, a orientação é buscar abrigo em uma construção segura e permanecer distante de árvores, postes, placas e estruturas que possam cair. Quem estiver na praia deve sair imediatamente da água e procurar proteção.
A Defesa Civil mantém o monitoramento das condições meteorológicas e recomenda que a população acompanhe os avisos oficiais ao longo dos próximos meses.

Em caso de emergência, a Defesa Civil pode ser acionada pelo telefone 199 e o Corpo de Bombeiros pelo 193. Para receber alertas por SMS, basta enviar o CEP para o número 40199.
